quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Beijo gay em horário eleitoral causa polêmica em Santa Catarina


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É inacreditável que em pleno ano de 2012 uma manifestação de afeto entre duas pessoas do mesmo sexo cause tanta confusão, mas infelizmente isso ainda acontece. Uma imagem de um beijo gay exibida durante o programa de Leonel Camasão, um candidato a prefeito de Joinville, maior cidade de Santa Catarina, vem causando grande polêmica e desconforto à ala conservadora da cidade.

O editor do "Jornal da Cidade", João Francisco da Silva, atacou duramente a iniciativa, usando sua coluna no periódico para expressar sua opinião sobre o episódio:

"Nojento aquele beijo gay exibido no programa eleitoral do Leonel Camasão, do PSOL. Tão asqueroso quanto alguém defecar em público ou assoar o nariz à mesa. Gostaria de saber qual a necessidade de exibir suas preferências sexuais em público? Para mim isso é tara, psicopatia. No mínimo falta de decoro. E a "figura" quer ser prefeito e se diz jornalista", escreveu o editor.

- Assista ao vídeo 

Procurado pelo Vírgula Lifestyle, o candidato que tem 26 anos e concorre pelo Psol, declarou que a ideia do beijo era marcar posição contra o preconceito e sair em defesa dos direitos da comunidade LGBT, além de promover o debate sobre o assunto. Após a publicação no jornal, Leonel Camasão entrou com um pedido à Promotoria de Direitos Humanos e Cidadania do Ministério Público de Santa Catarina para obter um direito de resposta. Segundo Camasão, os comentários são agressivos e vão contra a população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) e o partido.

Leonel nos passou com exclusividade o comunicado oficial do Psol, que será publicado no "Jornal da Cidade" em seu direito de resposta:

O candidato Leonel Camasão lamenta a postura do Jornal da Cidade e do colunista João Francisco, ao publicarem grave ofensa na edição de 31 de agosto. De maneira leviana, João Francisco ataca não só a campanha e a figura de Leonel, mas também, a toda população LGBT de nossa cidade. O ataque gratuito é uma grave ofensa aos direitos humanos e ao Código de Ética dos Jornalistas. Repudiamos tal atitude. Ao contrário do insinuado, Leonel se formou em jornalismo em 2008, na segunda melhor escola de jornalismo do Sul do Brasil à época. Tomaremos todas as medidas legais para coibir essa nefasta e preconceituosa prática deste jornal.


Por telefone, João Francisco da Silva defendeu seu ponto de vista: “Não sou homofóbico, dois dos meus colunistas, que são meus amigos, são gays assumidos. Acho que os gays têm o direito de beijar como qualquer casal hétero, mas não quero que façam isso na minha sala. Um cara que é candidato, que deveria estar discutindo questões de importância para Joinville e para os cidadãos, fere meus valores, meus princípios, meu senso estético com esse tipo de propaganda. Isso foi usado como uma forma de agressão. Quem faz isso não está propondo que se discuta a questão do homossexualismo, nem o direito das minorias. Isso apenas me agride, agride a sociedade e até as pessoas que não têm nada contras os gays, mas que não querem um sujeito ‘cagando’ de porta aberta, nem assoando um nariz na toalha da mesa ou mesmo um casal hétero fazendo sexo no meio da sala quando bem entender. A própria Rede Globo está a três anos discutindo se exibe ou não um beijo gay na novela e até agora nada, pois sentem que a maioria da sociedade brasileira é contra”, disse em entrevista ao Vírgula Lifestyle.

Questionado se é a favor do casamento gay, o jornalista respondeu: “A legislação permite que eles se casem, eu não sou gay então não tenho que ser contra nem a favor. Aqui em Joinville temos um hábito de comer caranguejos, minha irmã de São Paulo veio pra cá e ficou com nojo. É um direito dela, eu gosto de caranguejo, ela não. Ela não tem que se adequar ao meu gosto”. Mas ela comeu para experimentar? “Sim, ela acabou experimentando e gostou”, disse o jornalista que não se considera um conservador.

João Francisco é avó de uma criança de dois anos e diante da possibilidade de que um dia o neto se revele homossexual, o jornalista declarou: “Tenho certeza de que ficaria muito infeliz, vai ser uma tristeza, mas eu o amo, não vou deixar de amar meu neto jamais, ele é meu sangue”, disse.

Assista abaixo o programa eleitoral de Leonel Camasão que exibe o beijo gay (em 7 segundos):




Candidato do PSOL justifica beijo gay: 'Não esperava tanta contrariedade'

Em Joinville, maior cidade de Santa Catarina, o candidato a prefeito Leonel Camasão (PSOL-SC) causou polêmica nesta semana ao exibir um beijo gay durante seu programa no horário eleitoral. O caso gerou repercussão ainda maior quando um jornal da região recriminou o político com uma série de comentários tidos como preconceituosos.

Camasão garantiu que a ideia não era chocar, mas promover um debate sobre a questão. "Na verdade ninguém mais fala desse assunto, as pessoas fingem que o problema não existe", afirmou.

O tamanho da repercussão, no entanto, surpreendeu o político. "Imaginávamos que haveria reações negativas das pessoas mais conservadoras, mas não esperava tanta contrariedade", revelou ele. "Nunca foi nossa intenção promover isso", disse.

Camasão afirma ter um histórico de apoio à causa LGBT na cidade catarinense. Para João Francisco da Silva, editor-chefe do "Jornal da Cidade", contudo, o beijo é comparável com alguém "defecar em público". "Para mim isso é tara, psicopatia", destacou o jornalista.

"Lastimável comparar um ato de afeto com isso. É visível que ele é uma pessoa desequilibrada para se prestar a esse papel intolerante", avaliou Camasão. "Não está ofendendo só a mim, mas a várias pessoas que se indignaram", completou.

Em seu blog, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) condenou as declarações de José Francisco. "Por trás da grosseria e da falta de educação, (...) há a ideia de que gays e lésbicas deveriam voltar aos armários", afirma o texto do parlamentar. "É a mesma maneira que os antissemitas enxergam os judeus", comparou.

O editor-chefe do "Jornal da Cidade" afirmou que, como jornalista, tem o dever de defender a sociedade. "Aquele espaço é um programa eleitoral para se discutir propostas, princípios, valores. Ele não fez. Vi apenas uma grosseira agressão", declarou.

"Aceito o direito e as escolhas dos gays. Muitos de meus amigos são, mas nunca me afrontaram com comportamentos que ferem o decoro, a educação e as boas normas", concluiu João Francisco.

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