quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Descoberta de nova espécie de ancestral humano torna a história da evolução ainda mais complexa


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DESCOBERTA DE NOVA ESPÉCIE HUMANA É CONFIRMADA NO QUÊNIA

Fóssil do crânio do Homo Rudolfensis.
Descoberta coloca em dúvida algumas questões
 sobre a evolução (Reprodução/Internet)
Antropólogos descobriram, no norte do Quênia, fósseis de indivíduos pertencentes a uma espécie do gênero Homo que conviveu com o Homo Erectus há cerca de dois milhões de anos. O achado coloca em dúvida noções amplamente aceitas, como a de que os seres humanos evoluíram de primatas ancestrais. A descoberta é parte do Projeto de Pesquisa Koobi Fora, liderado pela britânica Meave Leakey e sua filha queniana, Louise Leakey, ambas paleontólogas.

Este estudo, publicado pela revista Nature, serve de resposta a uma incógnita que teve início em 1972, quando foi descoberto na mesma região um crânio que não tinha qualquer semelhança com outros da mesma época. Desse modo, surgiu a suspeita de que, na verdade, outras espécies de Homo haviam convivido com o Homo Erectus durante o Pleistoceno – entre 2,5 milhões de anos e 11,5 mil anos.

Agora é possível afirmar que aquele crânio de 40 anos atrás pertencia a um Homo Rudolfensis, assim como este último fóssil encontrado. A pergunta que se faz e que adiciona complexidade à história humana é: além do Homo Habilis e, agora, do Homo Rudolfensis, quantas outras espécies de Homo coexistiram com nossos ancestrais diretos e como isto influenciou nossa evolução?

A ancestralidade humana acabou de ficar mais complicada
Descoberta de nova espécie de ancestral humano torna a história da evolução ainda mais complexa


Uma das coisas mais estranhas a respeito do Homo Sapiens é que ele está sozinho, mas não costumava ser assim. Há apenas 40 mil anos, havia três outras espécies de humanos na Terra: os Neanderthais na Europa, os “hobbits” de Flores, na Indonésia, e um grupo de criaturas descobertas recentemente e ainda misteriosas chamadas de “Denisovans”, os quais viviam na Ásia Central. E agora há evidência de que uma diversidade semelhante existia anteriormente na história da humanidade, há pouco menos de 2 milhões de anos, na África.

Esta evidência, recém-publicada no periódico Nature, foi fornecida por uma equipe liderada por Meave Leakey do Instituto Turkana Basin em Nairóbi, Kenya. Em 1999, Leakey descobriu uma nova espécie de hominídeo chamada Kenyanthropus platyops. Com 3,5 milhões de anos, o Kenyanthropus é anterior ao Homo, gênero ao qual pertencem os seres humanos modernos. As últimas pesquisas, no entanto, também fazem adições a esse gênero.



O problema em estudar os registros fósseis da humanidade é a escassez de material: uma mandíbula aqui, um crânio acolá. Com frequência, é difícil saber se ossos diferentes são de uma mesma espécie. Até mesmo vários exemplos de um mesmo tipo de osso podem induzir ao engano. Ossos que podem parecer exemplares de duas espécies diferentes podem na verdade ser oriundos de um macho e uma fêmea da mesma espécie. Tal confusão se aplica aos fósseis humanos encontrados próximos ao lago Turkana. Alguns paleontólogos identificam uma única e variável espécie denominada Homo Habilis. Outros adicionam mais uma, a Homo rudolfensis. Os novos fósseis encontrados por Leakey e sua equipe, contudo, podem clarear a compreensão dos acontecimentos.

Uma das novas espécies, conhecida como KMN-ER 62000, tem uma face similar ao espécime-tipo (o fóssil que define a espécie, caso de fato se trate de uma espécie) do Homo rudolfensis , ainda que pareça ser a de um adolescente, enquanto o espécime-tipo é de um adulto. Fundamentalmente, o 62000 tem uma mandíbula superior – a qual não consta no espécime-tipo – razoavelmente bem preservada. Uma reconstrução computadorizada sugere que essa mandíbula superior se integra bem com a segunda das descobertas de Leakey, uma mandíbula inferior (KMN-ER 60000). Ela não está sugerindo que ambos os ossos são do mesmo indivíduo, uma vez que têm idades diferentes, mas eles parecem ter pertencido a indivíduos da mesma espécie – Homo rudolfensis­.

Tão significante quanto essa tese é o fato de que outra reconstrução computadorizada mostra que a mandíbula superior 62000 não coincide com outro fóssil célebre encontrado na mesma área, conhecido como KMN-ER 1802. Pensava-se que este, encontrado em 1973, fosse uma mandíbula inferior do rudolfensis.

Agora não está claro do que se trata o 1802 realmente. Parece que, à época, três espécies de Homo estavam vagando pela savana do leste africano a pouco menos de 2 milhões de anos atrás: o habilis, o rudolfensis e outra espécie ainda sem nome. A intrincada história da família humana acaba de se tornar mais complicada.

Fontes: The Economist-Ask the family

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