sexta-feira, 22 de junho de 2012

Aids: Mutação torna africanos mais suscetíveis ao HIV


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Aids: Mutação torna africanos mais suscetíveis ao HIV

Uma mutação genética que surgiu há milhares de anos na África para proteger as pessoas da malária pode, por outro lado, tornar seus portadores mais vulneráveis à infecção por HIV. Uma vez expostas ao vírus, essas pessoas o contraem com mais facilidade, mas também resistem a ele por mais tempo antes de seus organismos sucumbirem à Aids.

A descoberta, descrita ontem por cientistas dos EUA e do Reino Unido no periódico científico "Cell Host & Microbe", pode explicar porque a Aids tem castigado a África mais do que todas as outras partes do mundo. Segundo os pesquisadores, 90% das pessoas na África subsaariana têm essa variante do gene, e cerca de 60% dos norte-americanos afrodescendentes também o possuem.


Percentagem  da contaminação pelo H.I.V nos países da África 
O estudo, liderado pelo infectologista Sunil Ahuja, da Universidade do Texas, afirma que o comportamento sexual e a falta de médicos não podem explicar sozinhos a concentração da epidemia. Hoje, mais de dois terços dos 33 milhões de soropositivos do mundo vivem na África subsaariana.

Pessoas com a variação genética recém-identificada têm risco 40% maior de serem infectadas pelo HIV. Apesar de ela proteger contra a malária, se ela não existisse a epidemia de Aids na África seria 11% menor, estimam os pesquisadores.

Dos 2,1 milhões de pessoas que morreram de Aids no mundo ano passado, 1,6 milhão eram da África subsaariana.

A mutação descoberta por Ahuja e seus colaboradores cancela a produção de uma proteína que recobre a superfície dos glóbulos vermelhos do sangue. Apesar de ela facilitar a circulação do HIV de pessoa para pessoa, ela ajuda o organismo a combater o vírus e retardar o aparecimento dos sintomas da Aids. Os soropositivos portadores da mutação vivem em média dois anos a mais que os outros. Para a epidemiologia, diz Ahuja, essa variação do DNA é uma "faca de dois gumes".

Alarme desligado

A proteína ligada ao gene foi batizada como Darc. Ela é uma espécie de "fechadura" molecular que abre uma "porta" de entrada nas células. Sem a fechadura, de nada adianta um dos parasitas da malária, o Plasmodium vivax, ter a "chave" para abri-la, e por isso a mutação protege contra essa doença.


Como a malária é endêmica na África, a mutação surgiu e se espalhou com o tempo porque a população local evoluiu para adquirir resistência. "Isso provavelmente foi há milhares de anos", diz Robin Weiss, co-autora do estudo de Ahuja.

Em relação ao HIV, porém, o efeito é inverso. A Darc ajuda a emitir as chamadas citocinas -moléculas que dão sinais ao sistema imunológico para ampliar as defesas contra o vírus. Quando a proteína está ausente, o HIV se beneficia e trafega no sangue sem ser delatado.

Os pesquisadores fizeram a descoberta em negros americanos e não na população da África. Eles observaram 1.266 soropositivos na Força Aérea dos EUA, registrados desde a década de 1980, bem como 2.000 pessoas não infectadas. Eles descobriram que a variante é muito mais comum entre os negros americanos portadores do HIV do que entre aqueles que não o contraíram.

Apenas uma pequena proporção das pessoas de ascendência não-africana carregava essa mutação genética.

Com Reuters

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