segunda-feira, 14 de maio de 2012

Relacionamentos amorosos simultâneos conquista mais visibilidade e adeptos pelo mundo


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Um só coração para vários e diferentes amores

É possível manter essas três relações sem ciumeira, nem estresse

Agência Estado

Imagine ter um namorado mais culto para ir a peças e exposições, outro mais divertido para bater papo e beber no bar e ainda um terceiro, romântico, que te leve para restaurantes incríveis. E que você pudesse manter essas três relações sem ciumeira, nem estresse. Utopia? Não para os poliamoristas. Eles permitem-se mais de um relacionamento amoroso simultâneo, não vêem o sexo como a base de uma relação, seguem o impulso natural do ser humano de se relacionar com várias pessoas ao mesmo tempo e - juram - não sentem ciúme.

Nos Estados Unidos, na Alemanha e no Reino Unido, o movimento existe de modo organizado há cerca de 20 anos. Mais recentemente começou a conquistar mais visibilidade e adeptos pelo mundo - inclusive no Brasil. Na internet, o termo "poliamor" tem verbete no Wikipedia e 11.400 citações em português no Google - em diversos idiomas, o número salta para 60 mil. Em 2005 realizou-se a primeira Conferência Internacional sobre Poliamor em Hamburgo, na Alemanha. E há até uma organização sem fins lucrativos que promove e apóia os interesses de indivíduos com relacionamentos ou famílias múltiplas, a Polyamory Society.

Muito antes de esse conceito virar comunidade no Orkut com mais de 600 integrantes brasileiros, a advogada Lindsay Sallete Custódio Faccine, 27 anos, sem saber, já era poliamorista. "Desde muito cedo achava um absurdo o fato de que não poderia envolver-me afetivamente com uma pessoa", conta ela, cujo primeiro namoro, aos 21 anos, já foi uma experiência poliamor. "Me relacionei com um homem que eu sabia ter envolvimento com mais pessoas e isso jamais me incomodou, sempre fui ciente de que não o completaria em todos os sentidos."


Já o estudante Rodrigo Braga Alonso, 21, descobriu-se poliamorista depois de um relacionamento frustrado. "Tive uma namorada que me trocou por outro cara. Isso simplesmente doeu demais, mas doeu em nós dois, porque ela me dizia que gostava muito de mim, mas ainda assim se apaixonou por outro. Ela sofreu ao ter de escolher, mas escolheu e eis que ficamos duas pessoas tristes e separadas." A experiência fez com que Alonso repensasse os valores monogâmicos que - como para a maioria das pessoas - lhe foram impostos desde que nasceu. Quando ele começou a se envolver com outra menina, propôs que o relacionamento não fosse exclusivo. Com alguma resistência, ela aceitou. "Estamos juntos há um ano e eu continuo cada vez me apaixonando mais por ela, mas, ao mesmo tempo, sempre buscando novos amores."

Não que fazer essa opção, que quebra mitos e tabus inerentes a uma sociedade fundamentalmente monogâmica, seja tarefa fácil. Primeiro, é preciso encontrar pessoas que concordem com o modo diferente de se relacionar. E, mesmo chegando-se a um acordo, ninguém está livre da fúria do ciúme. Lindsay, por exemplo, acabou de romper um dos relacionamentos que estava vivendo por causa da possessividade exagerada. E não foi a primeira vez. "Houve uma pessoa que, inicialmente, aceitou minha opção, porém, no dia em que assumi outro relacionamento, ela teve atitudes estranhas, chegou a ligar diversas vezes seguidas chorando e dizendo que eu a havia enganado, que eu tinha brincado com seus sentimentos."

ENFRENTANDO PRECONCEITOS

Alonso admite que sua busca por novos amores também atrapalha, algumas vezes, seu relacionamento. "Ela às vezes fica com essa paranóia de que eu não gosto dela, e eu me estresso porque para mim parece tão óbvio que eu a amo, mas que eu também estou aberto a amar outras pessoas. Somos dois humanos, nós dois temos nossos preconceitos e nossas bobeiras e quem vê de fora me vê como o vilão que a ‘força’ a aceitar isso - na cabeça dessas pessoas, ela é a ‘normal’ sendo coagida pelo ‘pervertido’ a viver em seu mundo perverso. Mas recentemente parece que ela tem gostado de outro garoto também e eu sempre a incentivo a ir atrás dele."

Há ainda a família - para a maioria dos poliamoristas, o lado mais difícil da moeda. A enfermeira Karen Aparecida Santos Ferreira, 29 anos, relaciona-se simultaneamente com várias pessoas desde a adolescência. Sua família, católica, prefere ignorar o fato. "Eles me amam, mas não se envolvem, não comentam " Melhor assim. Para Lindsay, o assunto em casa é um verdadeiro tabu. "Meus pais vêem o poliamor como sinônimo de promiscuidade. Eles vivem dizendo que eu já deveria estar casada e ser mãe. Eu gostaria que eles tivessem cabeça mais aberta e compreendessem que eu posso muito bem constituir uma família e ser poliamorista desde que a pessoa com quem eu venha a me casar aceite a idéia "

Karen, aliás, prova que relacionamentos poliamoristas podem ser duradouros. "Minha primeira experiência foi aos 16 anos e durou até o ano passado. Namoramos, casamos e recentemente nos separamos. Tivemos relacionamentos duradouros com outras pessoas durante esses 13 anos. E hoje não consigo me ver vivendo de outra forma, pois na verdade sempre conjuguei o amor no plural."

VÁRIAS METADES DA LARANJA

Na opinião da psicoterapeuta Lídia Aratanguy, o desejo de se relacionar amorosamente com mais de uma pessoa deve-se à busca por completar-se. "Isso vem da idéia de que somos incompletos, o que é verdadeiro, e que o parceiro deveria nos completar, o que é impossível. Já se falou muito sobre a ‘metade da laranja’, mas hoje sabemos muito bem que duas meias-laranjas podem fazer uma bela laranja, mas duas meias-pessoas não fazem um casal."

Para Lídia, fazer esse tipo de opção só é saudável se for de comum acordo. "O amor tem mil caras, entre elas a paixão, a ternura, o companheirismo, a cumplicidade, a admiração. Nem todas são vividas ao mesmo tempo e com o mesmo parceiro. O que cabe ou não cabe ‘terceirizar’ fica por conta dos critérios do casal. O que se pode afirmar é que, entre pessoas adultas, livres e responsáveis, vale o que for consentido e não machucar ninguém."

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