quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cidade inglesa fica famosa por sexo em público


TV's LCD, Home Theater, Celulares, Som Portátil
Em Puttenham, 'dogging' ganha cada vez mais adeptos do sexo em público e conquista espaços para prática anônima

Um homem ficou conhecido como “Bob, o Construtor” por usar apenas um capacete de proteção. Um homem nu chegou a comentar com uma mulher que fazia um passeio: “É um bom dia para aquilo, não é mesmo?”. Então, contou Jules Perkins, uma estonteante variedade de forças sexuais tomaram conta desta pequena aldeia no condado de Surrey como em uma cena de um filme pornográfico.

“Eu vi dois homens sentados lado a lado assistindo a um homem e uma mulher fazendo sexo”, disse Jules, descrevendo o que testemunhou enquanto passeava com seu cachorro na colina entre sua casa e o café Hog's Back. “Nas proximidades, vi dois homens vestindo apenas cuecas brancas super apertadas”.


Foto: The New York Times
Jules Perkins caminha em parque público em Puttenham, conhecido por ser palco de ‘dogging’ (prática do sexo em público)
Mais tarde, ela encontrou um vibrador rosa nos arbustos. “Eu o entreguei a polícia”, ela contou. “Eles disseram: ‘O que devemos fazer com ele?’”. E eu disse: ‘Coloque-o na caixa de achados e perdidos’”.

Puttenham, a cerca de uma hora de Londres, tem menos de 2.500 habitantes e é famosa por sua antiga igreja, seu amigável pub e sua inclusão em “Domesday” – um livro que fez o levantamento das terras inglesas no século 11 – e em “Admirável Mundo Novo”.

Bosque

Infelizmente, para muitas pessoas aqui, a cidade também é famosa por ser apresentada em listas de bons lugares para o ''dogging" – isto é, fazer sexo em público, muitas vezes com parceiros que você acabou de conhecer online, para que outros possam ver. O bosque local é tão popular para o sexo gay (principalmente durante o dia) e para o sexo heterossexual (à noite) que a polícia o designou como um “ambiente de sexo em público”.

Sexo em público é uma atividade popular na Grã-Bretanha, de acordo com as autoridades, assim como o grande número de sites que promovem a atividade semilegal. Ela é tratada como crime na Grã-Bretanha somente se alguém que a testemunhar se sentir ofendido e estiver disposto a fazer uma reclamação formal. E os policiais tendem a atuar com suavidade em ambientes de sexo em público, em parte devido ao amargo legado do tempo em que a prática sexual entre homossexuais era ilegal e homens pegos fazendo sexo anônimo em lugares como banheiros públicos eram rotineiramente presos e humilhados.

Sites de entusiastas alertam os praticantes sobre os locais mais conhecidos para dogging – mais de 100 apenas em Surrey – e oferecem dicas de etiqueta para aqueles que ainda estão animados demais ou confusos.

“Se aproxime ou entre na brincadeira apenas se for convidado”, informa o site Swinging Heaven, que diz ter mais de 1 milhão de membros registrados. Richard Byrne, professor sênior em gestão do espaço rural na Universidade Harper Adams, em Shropshire, afirmou que a tecnologia moderna tornou o dogging muito mais conveniente do que costumava ser, graças aos sites de busca, grupos no Facebook e pessoas twittando sobre suas experiências. “E, claro, todo mundo tem celular”, disse.

Década de 70

O Swinging Heaven diz que a prática começou na Grã-Bretanha na década de 1970 e que o termo vem do fenômeno de voyeurs que seguiam obstinadamente pessoas fazendo sexo. Outros dizem que os praticantes dizem estar “levando o cão para passear” quando na verdade vão a parques e bosques ao encontro de estranhos nus.

Os britânicos são tolerantes e muito provavelmente não se importariam sobre quem assistiu a quem fazer o quê, desde que todos eles fossem em outro lugar. Por que, os moradores de Puttenham questionam, eles têm de fazer o que fazem a 400 metros da creche da  cidade  ?”.

“Não temos nada contra os gays ou quem quer que esteja lá”, disse Lydia Paterson, que vive na  cidade . “É apenas o princípio de ‘Que diabos está acontecendo?’”.

Pistas

Um passeio pelo bosque no outro dia não revelou doggers (estava chovendo), mas muita evidência de sua existência. Muito lixo – preservativos usados, coisas feitas de borracha, páginas arrancadas de revistas pornográficas - se espalha pelo local. As trilhas são cobertas por tapetes pretos que as pessoas convenientemente deixaram ali para a próxima vez.

Os moradores têm pressionado as autoridades a fazer algo, argumentando que o governo deveria simplesmente fechar a parada que oferece acesso ao bosque, na estrada A31. Dessa forma, as pessoas que quisessem fazer sexo não teriam lugar para estacionar.


Foto: The New York Times. Preservativos usados, coisas feitas de borracha, páginas arrancadas de revistas pornográficas são algumas evidências

Mas autoridades do governo local se recusaram, dizendo que fechá-lo injustamente iria punir os motoristas que realmente só querem descansar e privar o proprietário do café Hog's Back de seu meio de subsistência.

Sugestões alternativas, debatidas em uma reunião recente do Conselho dos Ministros do Condado de Surrey, incluem a implantação de guardas para patrulhar o local a cavalo, encorajar os caminhantes a espantar os doggers com cães de verdade e colocar touros bravos no local.

“As pessoas disseram: 'Vocês estão falando sério?’”, disse Paterson. “Um membro do gabinete chegou a falar: ‘Se você fechar esse local pode haver um aumento nos suicídios porque essas pessoas não têm para onde ir”.

Alguns moradores mais velhos simpatizam com o município. “Honestamente, isso vem acontecendo há tantos anos”, disse Jennifer Debenham, 71 anos, no pub local. "Eu acho que devemos deixá-los em paz".

Histórias


Enquanto isso, moradores trocam histórias: sobre o homem seminu encontrado em um arbusto que teatralmente fingiu estar procurando por nozes e coisas assim. “Um site nos lista como o local número dois para dogging em toda a Europa”, disse Perkins.

O conselho concordou em instituir um “plano de gestão ativo” que pode incluir o corte de alguns arbustos e patrulhas de segurança. E a polícia recentemente colocou uma placa de alerta às pessoas para que não se envolvam em “atividades de caráter inaceitável” na região.

“Houve muito debate sobre o texto desta placa”, disse Paterson. “Não acho que eles queriam dizer: “Não tenha relações sexuais aqui”.


The New York Times | 

    *Por Sarah Lyall

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