sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Anticoncepcional torna o sexo menos satisfatório para as mulheres‎


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Estudo liga insatisfação sexual da mulher à influência da pílula na escolha do parceiro
Cientistas verificam que satisfação sexual é menor entre mulheres que escolheram seu parceiro sob efeito de métodos contraceptivos hormonais 

  Mulheres que tomam pílula no início de um relacionamento podem não se sentir satisfeitas sexualmente, mas têm mais chances de escolher parceiros confiáveis (Hemera/ThinkStock)


A pílula anticoncepcional pode influir na escolha do parceiro, e isso se reflete na vida sexual das mulheres. É o que sugere um estudo realizado no Reino Unido e publicado hoje na revista Proceedings of The Royal Society B. Os cientistas da Universidade de Stirling verificaram que a satisfação sexual é menor entre mulheres que escolheram seu parceiro sob o efeito de métodos contraceptivos hormonais. Já entre as mulheres que não tomavam pílula no início de um relacionamento, a pesquisa constatou que a satisfação sexual é mais intensa, e os relacionamentos, menos duradouros.


A equipe do psicólogo Craig Roberts entrevistou mais de 2.500 mulheres, todas mães. Destas, 1.000 tomavam pílula quando conheceram o futuro pai de seus filhos. Este grupo se disse feliz com o relacionamento - citando razões como a fidelidade do parceiro e a estabilidade financeira -, mas relatou menor satisfação sexual. Já o grupo de mulheres que não tomavam pílula na hora de escolher o parceiro relatou maior satisfação na cama - e menor entusiasmo com a convivência ao lado do parceiro. Em média, os relacionamentos deste segundo grupo duravam dois anos menos.


Saiba mais

MHC
O Complexo Principal de Histocompatibilidade (Major Histocompatibility Complex, MHC, em inglês) é a região do genoma na qual ficam vários genes relacionados à resposta imunológica, responsáveis por gerar, em cada pessoa, uma individualidade biológica. Essa variação amplia as chances de o indivíduo ser resistente a doenças. Acredita-se que, inconscientemente, através de cheiros, traços morfológicos e outros fatores, as pessoas escolham como parceiros justamente quem tenha um MHC bem diferente do próprio. Seria uma forma de gerar descendentes mais aptos a sobreviver às infecções causadas pelos vírus, bactérias e parasitas.
Uma possível explicação para os resultados, já sugerida em pesquisas anteriores, passa pela variação das preferências femininas durante o ciclo menstrual. Em seu período fértil, mulheres tendem a se sentir atraídas por parceiros com características mais masculinas - maior vigor físico, por exemplo. Findo o período fértil, as mulheres fixam-se em homens aparentemente mais carinhosos e bons provedores.
O mecanismo que governa a escolha feminina de parceiros ainda é pouco conhecido dos cientistas. Acredita-se que o processo esteja relacionado a um grupo de genes chamado Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC, na sigla em inglês). A estes genes se credita a atração por parceiros geneticamente diferentes, de que resulta uma descendência com maior variedade genética.

É óbvio que nenhuma mulher faz exames genéticos para determinar o MHC de prováveis parceiros. De maneira inconsciente, as mulheres escolhem parceiros com MHC o mais diferente possível. A escolha se dá instintivamente, por meio de traços físicos, odores e outros fatores. O que a nova pesquisa indica que é os métodos contraceptivos hormonais podem suspender esta tendência e embaralhar os sinais, levando a mulher a buscar um parceiro de MHC mais próximo do dela. Isso pode levar a uma menor satisfação sexual, mas vai garantir um parceiro mais confiável.

"Se os hormônios afetam a escolha dos parceiros, precisamos prestar atenção nisso", disse Roberts, em entrevista ao jornal inglês The Guardian.

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