quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Desejo bissexual existe‎, diz estudo.


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Pesquisadores da Northwestern University encontraram evidências científicas de que alguns homens que se identificam como bissexuais são, de fato, sexualmente excitados por homens e mulheres

A constatação não é surpresa para bissexuais, que, há muito tempo, afirmam que a atração erótica, muitas vezes, não se limita a um sexo. Mas por muitos anos a questão da bissexualidade tem intrigado cientistas. Um estudo amplamente divulgado, publicado em 2005, também feito por pesquisadores da Northwestern University, relatou que "em relação à excitação sexual e atração erótica, a bissexualidade masculina existe e pode ser comprovada."

Mas o estudo pareceu também apoiar o estereótipo de homens bissexuais como homossexuais enrustidos. Agora, num novo estudo, publicado online na revista Biological Psychology, os pesquisadores tiveram critérios mais rigorosos de selecção dos participantes. Para melhorar suas chances de encontrar homens estimulados por mulheres, assim como homens estimulados por homens, os pesquisadores recrutaram sujeitos de espaços on-line especificamente dedicados a promover encontros entre bissexuais.

Os pesquisadores também exigiram que os participantes tivessem experiências sexuais com pelo menos duas pessoas de cada sexo e um relacionamento romântico de no mínimo três meses com pelo menos uma pessoa de cada sexo.

No estudo de 2005, por outro lado, os homens foram recrutados através de anúncios em publicações gays e alternativas e foram identificados como heterossexuais, bissexuais ou homossexuais, critério baseado em respostas a um questionário padrão.

Em ambos os estudos, os homens assistiram vídeos eróticos feitos para homens e mulheres, mostrando intimidade com ambos os sexos, enquanto sensores genitais monitoravam suas respostas em termos de ereção. Enquanto o primeiro estudo relatou que os bissexuais geralmente tinham reações físicas que se assemelhavam às de homossexuais em suas respostas, o novo estudo encontrou os homens bissexuais que responderam fisicamente aos dois tipos de vídeos, masculinos e femininos. Já os homens gays e heterossexuais que participaram do estudo não apresentaram a mesma resposta física, independentemente do vídeo exibido.

Ambos os estudos também descobriram que os bissexuais relataram excitação subjetiva para ambos os sexos, não obstante as suas respostas genitais.

"Alguém que é bissexual pode dizer, ′Bem, não posso acreditar`", comentou Allen Rosenthal, o principal autor do estudo da Northwestern University, estudante de doutorado em psicologia na universidade. — Mas esta será a resposta a muitos homens bissexuais que tinham ouvido falar sobre o trabalho anterior e que sentiram que os cientistas não os estavam reconhecendo.

O estudo da Northwestern é o segundo publicado este ano para relatar um padrão distinto de excitação sexual entre os homens bissexuais. Em março, um estudo na revista Archives of Sexual Behavior relatou os resultados de uma abordagem diferente para a questão. Como no estudo de Northwestern, os pesquisadores mostraram aos participantes vídeos eróticos de dois homens e duas mulheres. Os participantes foram também monitorados genitalmente, assim como sua excitação subjetiva. Os vídeos também incluíram cenas de relações sexuais entre homens, assim como entre uma mulher e outro homem,.

Os pesquisadores Jerome Cerny, professor de psicologia aposentada da Indiana State University, e Erick Janssen, cientista sênior do Instituto Kinsey descobriram que os homens bissexuais eram mais suscetíveis do que os heterossexuais ou gays a experimentar excitação tanto genital e quanto subjetiva, enquanto assistiam esses vídeos.

A Dra. Lisa Diamond, professora de psicologia da Universidade de Utah e especialista em orientação sexual, disse que os dois novos estudos, em conjunto, representaram um passo significativo para demonstrar que os bissexuais têm padrões de excitação específica.

"Entrevistei um monte de pessoas sobre como é desanimador quando seus próprios familiares acham que eles estão confusos ou passando por uma fase ruim ou em negação de sua condição sexual", disse ela. "Estas linhas convergentes de evidências, usando diferentes métodos e estímulos dá-nos a confiança científica para dizer que a condição bissexual é algo real".

Os novos estudos são relativamente pequenos em tamanho, tornando-se difícil traçar generalidades, especialmente desde que os homens bissexuais podem ter níveis variados de atração sexual, romântico e emocional para os parceiros de ambos os sexos.

Os estudos não revelam nada sobre os padrões de excitação entre as mulheres bissexuais. O estudo incluiu 100 homens selecionados pela Northwestern, estritamente divididos entre bissexuais, heterossexuais e homossexuais. O estudo feito por Archives of Sexual Behavior incluiu 59 participantes, entre eles 13 bissexuais confessadamente.

O novo estudo da Northwestern foi financiado em parte pelo Instituto Americano de Bissexualidade, um grupo que promove pesquisa e educação sobre bissexualidade. Ainda assim, defensores expressam sentimentos mistos sobre a pesquisa.

Jim Larsen, 53 anos, presidente do Projeto de Organização Bissexual, grupo de defesa baseado em Minnesota, disse que as descobertas poderiam ajudar bissexuais ainda estão lutando para aceitar a si mesmos.

"É ótimo que os cientistas publiquem a afirmação que a bissexualidade existe. Tendo dito isso, eles estão provando o que nós, na comunidade, já conhecemos. Eu acho que é lamentável que alguém duvide de um indivíduo que diz: `Isto é o que eu sou e quem eu sou`."

Ellyn Ruthstrom, presidente do Centro de Recursos Bissexuais em Boston, repetiu desconforto Larsen.

"Assim é a sexualidade e são as relações de estimulação sexual. Os pesquisadores querem enquadrar a atração bissexual em uma pequena categoria", você tem que ser exatamente o mesmo, atraído por homens e mulheres, e então você é bissexual. Isso é um absurdo. O que eu amo é que as pessoas expressam sua bissexualidade em tantas maneiras diferentes.

Apesar de seu louvor ao cuidado com a nova pesquisa, Dr. Diamond também observou que o tipo de excitação sexual testada nos estudos é apenas um elemento de orientação sexual e de identidade. E simplesmente interpretar os resultados sobre a excitação sexual é complicado porque o monitoramento da resposta genital para imagens eróticas em um ambiente de laboratório não pode replicar uma real interação humana, acrescentou.

"A excitação sexual é uma coisa muito complicada. O fenômeno real no dia-a-dia é extremamente confuso e multifatorial".


Da Agência O Globo

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