domingo, 24 de julho de 2011

Norueguês preparava ataques desde 2009 e chegou a escrever manifesto


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Autor dos ataques na Noruega preparava ação desde 2009 e escreveu manifesto de 1.500 páginas contra 'dominação islâmica' e marxistas

OSLO, Noruega - Um documento de 1.500 páginas redigido aparentemente por Anders Behring Breivik, o norueguês que matou 92 pessoas em dois atentados em Oslo na última sexta-feira , revela que o ataque já era preparado desde o outono de 2009.

Anders Behring Breivik, um norueguês de 32 anos, deixou para trás um manifesto detalhado descrevendo como se preparou para os ataques e convocando para uma guerra civil e cristã a fim de defender a Europa contra a ameaça de dominação muçulmana, divulgaram neste sábado as autoridades norueguesas e americanas que participam das investigações.

O documento detalha ainda os seus preparativos, destacando "o uso do terrorismo como um meio de despertar as massas". Ele ainda admite que será lembrado como "o maior monstro nazista desde a II Guerra Mundial" por seus atos.

O texto, escrito em inglês, tem o título "A European Delaration of Independence - 2083" (Uma declaração de Independência Europeia - 2083, em tradução livre) e é assinado por "Andrew Berwick". "Meu nome, Breivik, remonta à época anterior a dos vikings. Behring é um nome germânico pré-cristão que deriva da palavra Behr, que em alemão significa urso e Anders (Andreas) é o equivalente escandinavo de Andrew", explica o assassino.

Com várias referências históricas, o manifesto inclui numerosos detalhes da personalidade do agressor, seu modus operandi para fabricar bombas e seu treinamento de tiro, um discurso contra o Islã e o marxismo, além de um minucioso diário dos três meses que precederam o ataque. Segundo seus próprios relatos, ele teria realizado um primeiro teste de detonação de uma bomba - que foi bem sucedido - em um local remoto no dia 13 de junho, sem deixar vítimas. Em meio aos relatos sobre a fabricação de bombas, o assassino dá ainda detalhes de sua rotina assistindo televisão, incluindo o concurso de música Eurovision e o drama policial americano The Shield.

"Um alvo prioritário é a reunião anual do partido socialista democrata", diz o texto que também explica como montar uma empresa de fachada, mineradora ou agrícola, para adquirir explosivos. Breivik tocava uma empresa de agricultura dedicada ao cultivo de hortaliças no leste da Noruega, o que lhe permitiu acumular grandes quantidades de fertilizante, que pode ser usado na fabricação de explosivos. Loiro, cristão e de extrema-direita, Anders Behring Breivik estava fora do radar da polícia norueguesa.

Ao final do texto, ele afirma "acredito que será minha última postagem. Estamos na sexta-feira, 22 de julho, às 12h 51min". O trecho foi o último escrito apenas três horas antes da explosão de uma bomba no centro de Oslo e do posterior ataque à colônia de férias de jovens do Partido Trabalhista.

Assassino deixou um vídeo no YouTube
Anders Behring Breivik admitiu que participou dos ataques, que "foram planejados há muito tempo", informou um de seus advogados, Geir Lippestad. Ele também é apontado como autor de um vídeo publicado no YouTube na sexta-feira. Na gravação, ele apela para que os conservadores cristãos na Europa levantem-se juntos em uma manifestação violenta em uma versão moderna dos Cavaleiros Templários das Cruzadas para salvar a Europa do totalitarismo islâmico.

Perto do fim, Breivik aparece vestindo um uniforme militar e segurando armas. Segundo o "The New York Times", o vídeo ficou poucas horas no ar e foi removido do site no sábado.

Uma página no Facebook e no Twitter dão outras pistas sobre suas motivações
"Uma única pessoa com convicção tem a mesma força de 100.000 que têm apenas uma vontade", escreveu.

As postagens, junto ao que se conhece sobre ele publicamente, se alinham com o massacre, embora fosse de difícil previsão diz a polícia.

Breivik foi membro do Partido de direita e tinha uma ideia fixa, o que o levou ao extremo de matar mais de 90 pessoas.

O homem classificou seus atos , de acordo com o seu advogado de defesa, de "atrozes, mas necessários". Anders Behring prestará os esclarecimentos em uma audiência na Justiça nesta segunda-feira e o tribunal decidirá se o suspeito deve permanecer preso. [O Globo, com agências internacionais]



Atirador de Oslo se via como um "idealista disposto a correr riscos por suas crenças"

Contribuidor frequente de sites políticos da Noruega, ele tinha o multiculturalismo como principal inimigo, mas também se definia como anti-racista, pró-homossexuais e pró-Israel
Anders Behring Breivik, suspeito do ataque terrorista em Oslo, na Noruega, em sua foto no Facebook: "Ganhei meu primeiro milhão aos 24 anos" (telegraph.co.uk)

Detido para interrogatório pela polícia da Noruega como principal responsável pelos atentados que deixaram mais de 90 mortos em Oslo, capital do país, nesta sexta-feira, Anders Behring Breivik, de 32 anos, fazia comentários políticos regularmente em diversos sites - notadamente no Document.no, mantido por um expoente da direita norueguesa. Entre julho de 2009 e outubro de 2010 ele deixou dezenas de comentários no blog, que os agrupou neste sábado. Os textos formam um mosaico das ideias de Breivik e ajudam a compor o seu perfil. Como outros que acabaram se provando sociopatas, ele mostra ser bastante culto e articulado.

Num de seus posts, Breivik revela sua desilusão com o Partido Progressista norueguês, ao qual foi filiado por 10 anos. Em nota publicada nesta sábado, o partido informou que Breivik entrou para o seu grupo de jovens em 1997 e permaneceu na agremiação até 2007 - tendo ocupado cargos de confiança entre 2002 e 2004 na regional do partido na área oeste de Oslo.

O Partido Progressista foi fundado em 1973 e é conhecido por abrigar políticos de extrema direita. Atualmente, é a segunda maior legenda do parlamento do país, ocupando 41 cadeiras. Defensor ávido dos preceitos do liberalismo econômico, o partido prega a redução do poder do estado norueguês e dos impostos pagos pela população. No entanto, quando se trata de questões sociais, sua veia extremista sobressai – principalmente quando o tema é a imigração.

O Partido Progressista é a principal voz contrária aos gastos do governo norueguês com auxílio social para refugiados e trabalhadores que chegaram de forma ilegal ao país. Em editorial publicado em 2010, o jornal britânico The Guardian classificou o partido como um dos maiores sucessos da direita europeia das últimas décadas. Segundo a publicação, apesar de contar com apenas 27.000 membros, o partido teria, no ano passado, apoio de 33% da opinião pública norueguesa. Segundo o site da legenda, seu número de apoiadores dobrou nos últimos dez anos.

No entanto, para Breivik, o Partido Progressista amoleceu em anos recentes. Num comentário publicado em 24 de janeiro de 2010 no Document.no, ele critica a falta de rigidez do partido - sobretudo quando o tema é o combate ao multiculturalismo. "A resistência genuína foi reduzida à mera divulgação de comunicados antes das eleições, para assegurar que as vozes do partido estão sendo ouvidas", escreve Breivik.

Ele também critica o fato de os membros mais proeminentes do partido serem políticos de carreira, e não "idealistas que querem assumir riscos e trabalhar por seus ideais”. Breivik compara os progressistas com políticos da esquerda, e afirma que esses últimos conseguem unir forças e disseminar suas ideias de maneira muito mais eficaz.

Essa perda de fé no Partido Progressista parece ter sido um dos motivos da colaboração de Breivik com o Document.no. “A maioria da direita, infelizmente, ainda não percebeu que é preciso derrotar o multiculturalismo parra derrotar a islamização”, diz ele em um de seus comentários. No último dos posts coligidos pelo site, datado de 29 de outubro de 2010, Breivik descreve o Document.no como uma das "poucas vozes ideológicas alternativas" da Noruega.

O Document.no é mantido por um proeminente jornalista norueguês, Hans Rustad, conhecido por seu discurso pró-Israel, anti-islamista e anti-imigração. As ideias de Rustad estão em linha com as de movimentos como o Stop Islamisation of Europe (Evite a Islamização da Europa), cujo slogan é "O racismo é a pior forma de estupidez. A islamofobia é o auge do senso comum".

No post de 29 de outubro de 2010, Breivik oferece conselhos a Rustad sobre a maneira de gerir sua empresa. O atirador, que se formou pela Escola de Comércio de Oslo e fundou, em 2009, uma grande propriedade para produzir alimentos orgânicos, batizada de Breivik Geofarm, apresenta as credenciais que o qualificariam como conselheiro em negócios: "Nos últimos 14 anos, trabalhei em diversos projetos ligados à internet. Tenho educação em finanças e dois outros bacharelados, ganhei meu primeiro milhão como empreendedor aos 24 anos e tenho muitos amigos que hoje são empresários bem sucedidos em várias indústrias. Muitos de meus amigos são experts no desenvolvimento de redes sociais."

Em vez de gastar dinheiro na contratação de repórteres, diz Breivik, o site deveria dedicar seus recursos à construção de uma rede social que integrasse suas bases "à semelhança do Tea Party", nos Estados Unidos. Em vários outros trechos, Breivik ressalta a necessidade de se fundar na Noruega um grande jornal conservador ou uma “plataforma pan-europeia de retórica e análise”.

Em outro post revelador, datado de 14 de setembro de 2009, Breivik se define como um "conservador cultural" e afirma: "Precisamos influenciar outros conservadores culturais para que adotem nossa linha de raciocínio anti-racista, pró-homossexuais e pró-Israel".

Breivik claramente se vê como um ideólogo e agitador cultural. Segundo o jornal norueguês Aftenposten, sua conta no Twitter tinha apenas uma mensagem, datada de 17 de julho. "Uma pessoa com uma crença equivale a 100 000 pessoas que têm apenas interesses", diz o post, adaptado de uma frase do filósofo britânico John Stuart Mill.

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