domingo, 12 de setembro de 2010

Sangrenta e sexy, 'True blood' fecha terceira temporada com novos mistérios


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Depois de começar como uma espécie de novela baiana à americana na primeira temporada (pelo excesso de sotaque exagerado dos personagens), e enveredar por caminhos fora dos propostos pela série (na segunda), enfim "True blood", de Alan Ball - o programa de maior sucesso da HBO atualmente -- entrou nos trilhos, ainda que sem alcançar grau dez, como séries anteriores do canal, como "Família Soprano" e "A sete palmos". Neste domingo à noite, a série (que passa às 22h no HBO) terá o desfecho de sua terceira e mais falada temporada. Na última cena do penúltimo episódio, vimos o vampiro viking Eric Northman (Alex Skarsgard) numa situação de morte iminente. Será? Eric atualmente é um dos personagens mais populares da série, e sua morte causaria enorme comoção. Além do mais, ele forma uma espécie de triângulo amoroso entre Sookie e o vampiro Bill, que ainda poderá render muito no futuro.

Esta terceira temporada que se encerra focou mais na premissa básica da série, que é a questão sócio-política dos vampiros, abordada no início e meio que deixada de lado depois. Para quem nunca assistiu, "True blood" mostra vampiros que saíram do armário nos Estados Unidos e vivem na região da Louisiania. Como minoria, eles tentam se integrar ao dia a dia, vivendo como pessoas (quase) normais e trabalhando em empregos comuns. O que evita que eles ataquem os humanos é a bebida Tru Blood, sangue sintético criado pelos japoneses e que os dentuços tomam como se fosse refrigerante. Contudo, os humanos descobrem que sangue de vampiro dá barato e começam a traficá-lo. E vampiros mais antigos resolvem deixar de ser legais.

A trama básica de "True blood" é focada em torno de Sookie Stackhouse (Anna Paquin), personagem em cujos livros a série se baseia. Sookie namora o vampiro Bill (Stephen Moyer) e, aos poucos, vai descobrindo que também tem algum tipo de poder especial. Ela tem um irmão garanhão e estouradinho, Jason (Ryan Kwanten), e uma melhor amiga, Tara (Rutina Wesley) que está sempre com problemas sentimentais. Mas a série vai muito além desses probleminhas comuns. Através da ambiguidade e do medo e preconceito em relação aos vampiros, Alan Ball (responsável pela magistral "A sete palmos") vai tecendo comentários sociais sobre racismo, homofobia e a atual política americana. Só que, às vezes, Ball, homossexual assumido, perde a mão e mergulha em homoerotismo exacerbado em alguns capítulos, ficando mais preocupado em mostrar os torsos e traseiros de vampiros, lobisomens e transmorfos bem esculpidos, para felicidade da plateia feminina e gay da série.

Mas foi justamente isso que deu audiência ao programa: excesso de nudez de ambas as partes (homens e mulheres) e palavreado pesado (na HBO não tem bip). Por isso, no início da terceira temporada meio que rolou um exagero nesse sentido. Às vezes soa risível, mas, como a Louisiania é uma região meio parecida com a nossa Bahia, um lugar cheio de mistérios, magia e sexo (e comida apimentada), a gente aqui acaba se identificando com certas coisas. Como o cozinheiro Lafayette (Nelsan Ellis), um tipo meio andrógino que trafica V (o sangue de vampiro). Lafayette é bastante parecido com tipos saídos de livros de Jorge Amado e afins. Só falta jogar capoeira. Mas ele é dos poucos personagens secundários que ainda vale à pena acompanhar, junto com os namorados Hoyt e Jessica (esta, uma vampira adoelscente virgem), já que vários outros caíram na repetição neste temporada.

- Infelizmente, nesta temporada, as tramas paralelas não engrenaram - Tara está cada vez mais chata e a família "white trash" do Sam também - e perderam a oportunidade de brincar mais com Jason como policial - diz o fã da série e tradutor de livros André Gordirro, que também acha que os lobisomens não disseram a que vieram. - Mas foi uma temporada bem superior à segunda em tudo o que envolve os vampiros, inclusive no desenvolvimento da Jessica - ressalta Gordirro, que espera que, na próxima temporada, amarrem melhores subtramas para os personagens chatinhos.

Ou seja, mais Jessica, mais Jason, menos Tara, menos Arlene (estas duas, cada vez mais insuportáveis).

Enquanto isso, "True blood" deixará no ar algumas perguntas que só serão respondidas na próxima temporada: o que aconteceu com o lobisomen Alcide? Godric voltará como uma espécie de entidade vamp? Eric realmente vai se sacrificar para matar Russell, o mais velho vampiro de todos? Arlene vai matar o seu bebê (que ela acha que é do demônio?) Como acabará a relação entre o transmorfo Sam e seu irmão caçula, Tommy? O romance entre Hoyt e a jovem vampira Jessica terá futuro? Lafayette se transformará num poderoso feiticeiro? Jason vai, enfim, sossegar com Crystal, a sua namoradinha pantera? E Sookie, vai assumir que é meio fada? Agora, só em 2011.

O Globo

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