quarta-feira, 24 de junho de 2009

Formato do pênis evoluiu para enfrentar infidelidade


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O pênis humano é um órgão esquisito. A começar pelo tamanho. Se o pessoal que vive mandando aqueles spams do tipo “aumente seu pênis” soubesse das dimensões da ferramenta dos gorilas, chimpanzés e orangotangos, ia acabar criando uma linha de propaganda enganosa voltada exclusivamente para zoológicos. Isso porque os primatas mais próximos de nós, coitados, são anjinhos barrocos quando comparados aos machos humanos. (E olha que gorilas machos adultos têm mais de 200 kg de puro músculo.) Isso sem falar no formato do membro, que é positivamente bizarro na nossa espécie. Por que tanta idiossincrasia?

Minha missão nos próximos parágrafos é tentar explicar isso sem deixar o bom gosto em frangalhos no meio do caminho, nobre leitor. (Vai ser difícil. Só o homem penitente passará.) Meus guias são dois psicólogos evolutivos de primeiro time, Jesse Bering, da Queen’s University de Belfast, e Gordon Gallup, da Universidade do Estado de Nova York em Albany. Gallup é o responsável por boa parte da pesquisa original sobre o tema, enquanto Bering resumiu e examinou esses resultados em sua coluna no site da revista “Scientific American” (a qual, aliás, recomendo fortemente). . Em síntese, o que a dupla mostra é que, como em tantas outras áreas da biologia masculina, a chave para entender a bizarrice do pênis humano é a competição. Uma espécie de esgrima de falos, se você quiser. (Ooops. Lá se vai o bom gosto.)

Primeiro, vamos aos fatos básicos. Bering lembra que até o membro dos chimpanzés, de longe os grandes macacos mais bem dotados do mundo (com exceção de nós), tem no máximo a metade do comprimento e da circunferência de um pênis humano médio. É natural inferir que esse tamanho todo seja uma forma de alcançar o mais fundo possível na cavidade vaginal da parceira e depositar o esperma o mais perto que der do útero – o que, lógico, favorece as chances de engravidá-la. Não parece muito interessante, até que levamos em consideração não apenas o tamanho, mas o formato do falo humano. Dica: só o nosso tem glande.

Cabeçudo
É isso mesmo: a característica anatômica conhecida popularmente como “cabeça” do pênis é típica dos machos humanos. Outros grandes macacos se contentam com uma haste inteiriça, mais ou menos comprida. Já a glande humana conta com um prepúcio (a dobra de pele que recobre a ponta do órgão), preso a ela por uma dobra de pele chamada de frênulo (“pequeno freio”, em latim). Em geral, durante a penetração, o prepúcio é puxado para baixo, expondo a glande até a região conhecida como coroa – a circunferência saliente que separa a cabeça do pênis propriamente do resto do órgão. (Estou apostando que todo mundo entendeu e não precisa de desenhos, mas este linkpode conduzir os interessados a um guia visual da coisa toda.)

O detalhe crucial, afirma Gordon Gallup, é que a circunferência da coroa é mais larga que a da haste do membro abaixo dela. Trata-se, na prática, de uma espécie de guarda-chuva. A hipótese do pesquisador é que esse design anatômico tão específico é, na verdade, um removedor de esperma alheio. Os movimentos de penetração fariam com que o sêmen de um rival, depositado anteriormente na vagina da parceira, fosse levado para debaixo da coroa da glande e retirado dali, abrindo espaço para os espermatozoides do atual copulador.

“Ugh”, dirá você. Infelizmente, a infidelidade existe desde que o mundo é mundo, e na era pré-camisinha e pré-pílula muitas vezes era acompanhada por gestações nas quais o parceiro fixo da mulher não era o pai. (É claro que hoje em dia tem muita gente que ainda faz sexo sem proteção com múltiplos parceiros, de forma que pouca coisa mudou para os que se comportam dessa maneira.)

O raciocínio também vale para um eventual Don Juan: ele pode usar sua glande como ferramenta para ter filhos sem que precise criá-los. Lembre-se de que o sucesso reprodutivo é a moeda de troca número 1 da seleção natural. Qualquer ancestral nosso com modificações anatômicas que caminhassem na direção da atual glande teria mais chances de deixar descendentes e, portanto, veríamos a característica se espalhar entre a população masculina ao longo das gerações – desde que a modificação fosse controlada por características genéticas que pudessem ser passadas via reprodução.

Teste do laboratório
O interessante é que a hipótese foi testada experimentalmente, e de um jeito um bocado divertido. Gallup e seus colegas se dirigiram à sex shop mais próxima e adquiriram uma variedade de pênis e vaginas artificiais, anatomicamente realistas – com o detalhe importante de que alguns dos vibradores tinham glandes, enquanto outros eram apenas uma haste.

Próximo passo: sêmen feito em casa. (Não entenda mal: os pesquisadores simplesmente usaram uma mistura de farinha e água para produzir um análogo do esperma humano.) A vagina artificial foi salpicada com a solução e depois submetida a penetrações simuladas com os pênis com glande e sem glande. Resultado? Os que tinham esse detalhe conseguiram remover 91% do “esperma” depositado no brinquedo sexual, enquanto os vibradores “sem cabeça” conseguiram um índice de remoção espermática de apenas 35%. E, o que era de se esperar, quanto mais funda a penetração, maior a eficiência na retirada do esperma indesejado.

OK. Sabendo que nossa espécie apresenta índices consideráveis de infidelidade, faz todo o sentido que esse mecanismo tenha evoluído. Mas e os chimpanzés, que são bem mais promíscuos que nós de qualquer jeito que se olhe? Gallup argumenta que nossos parentes mais próximos resolvem o problema de maneira diferente, por meio da produção bruta de esperma: os testículos dos bichos são três vezes maiores que os dos machos humanos. O que provavelmente aconteceu, diz ele, é que transformações genéticas aleatórias “empurraram” a seleção de características sexuais para um lado na nossa espécie e para outro nos chimpanzés.

Os pesquisadores podem estar certos ou errados nesse raciocínio todo, mas de um fato não dá para fugir: pênis podem não ser exatamente uma lindeza, mas são um prodígio de engenharia natural.

G1

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