domingo, 30 de novembro de 2008

Namoro cristão: sexo, não!!!


TV's LCD, Home Theater, Celulares, Som Portátil


"Ela só quer, só pensa em namorar...", já dizia Luiz Gonzaga, avaliando com propriedade a ligação direta entre jovens e namoro. Que eles continuam namorando muito ninguém duvida. O que surpreende é, em tempos de liberdade total, a opção que muitos deles estão fazendo: a castidade até o casamento.


"Quero um namoro cristão," bradam eles nas comunidades da internet. A mesma busca pelo também chamado namoro santo ganha visibilidade entre ministérios e grupos de jovens.

Só no site de relacionamentos Orkut, por exemplo, são mais de 50 comunidades contendo a expressão "namoro santo" e mais de 70 de "namoro cristão". Sem falar nas demais que usam expressões como "Esperando no senhor" e "À espera de um José e de uma Maria", e que contam até com mais de 80 mil membros.

Entre os adeptos deste tipo de namoro, encontram-se os mais variados perfis: evangélicos, católicos, jovens, adolescentes e pessoas mais maduras, que encontraram na castidade uma maneira de viver segundo a religião que seguem ou mesmo para evitar decepções amorosas. Uns receberam dos pais a doutrina, outros resolveram sozinhos seguir o que diz a Bíblia sobre sexo e virgindade.


Mas as regras do namoro santo não são fáceis: como o sexo não é permitido, também deve-se evitar tudo que leva a ele, como revistas e filmes. A masturbação não é aconselhada, nem ficar sozinho com o namorado.

Se pregar a castidade não é novidade, a maneira com que esses jovens expõem sua opção é típica dos tempos modernos: em camisetas, através dos chamados "anéis da castidade", que viraram moda até com a banda pop americana Jonas Brothers e pela internet. Outro ícone dessa geração é o jogador evangélico Kaká, que declarou ter se casado virgem para cumprir os ensinamentos bíblicos.

Para o pastor Cláudio Galvão, Ministro de Família da Igreja Batista da Restauração, de Vitória, o jovem de hoje tem tanta liberdade, que pode escolher viver na castidade e tornar isso público.

"Antes havia mais pressão, agora, ele se sente livre para tomar essa decisão. Tentamos passar que isso não é só um valor moral, mas tem a ver com o relacionamento com Deus, que exige santidade", avalia, lembrando que passar esse tipo de conduta é uma missão árdua. "Infelizmente vivemos numa sociedade que condena a pedofilia, mas permite o uso de uma moda sensual por crianças".

Num contexto de grande apelo sexual, pregar a castidade, segundo o padre Anderson Gomes, que coordena o setor de Juventude na Arquidiocese de Vitória, parece a luta entre Davi e Golias. "Tentamos mostrar uma concepção humana. Tem jovem que vira bicho, é só vontade e desejo. A palavra de Deus nos ensina a ser gente, a renunciar, a se guardar. Os apelos são fortes, mas é um momento de viverem o que acreditam. Caminha-se cada vez mais para uma experiência pessoal", acredita.

Verdadeira paixão, só por Jesus 
"Quando a gente se conheceu eu já tinha essa posição e ele também queria isso. Assim é mais fácil. Um ajuda o outro". A posição de que fala a estudante de fisioterapia Gabriela Pedrinha Nicolau, 20 anos, é o firme propósito de não ter relações sexuais antes do casamento. Ela e Flávio Buares de Souza, 24, namoram desde março de 2007 e fazem parte do Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica. "Na renovação isso é passado nas formações, mas ninguém é obrigado. O jovem tem sede de Deus, é 8 ou 80. Se não consegue saciar essa sede, procura em outras coisas. Mas se se apaixona verdadeiramente por Jesus consegue viver a castidade", diz.

Jovens usam anel da castidade 
O sucesso da banda norte-americana Jonas Brothers entre os adolescentes serviu de inspiração para o pastor auxiliar José Natal Rodrigues da Silva, da Igreja Batista de Jardim Marilândia, criar aqui, há três meses, na Grande Vitória, um trabalho voltado para incentivar a castidade entre os jovens.

Atraídos pela música, meninos e meninas do Ministério Vozes do Amanhã, como os jovens Bruno Nunes, 15, Mariana Andrade, 13, Lívia Trarbach, 17 e Hudson Chaves, 15, já utilizam um anel - assim como os que são usados pelos cantores da banda ? que representa o compromisso assumido com Deus e com a família de manterem-se castos até o casamento.

"Através da música comecei a trabalhar a questão da privação sexual com eles, que é o que está na Bíblia. Alguns não aceitaram por ter vergonha dos amigos. É um anel prata, que pedimos para ser usado na mão direita, símbolo do compromisso com Deus e com a família", conta o pastor, que não desistiu da idéia, apesar de encontrar resistência também entre os pais dos adolescentes.

"Para minha surpresa, os pais disseram que isso não era necessário, temiam que os filhos fossem vistos como ultrapassados. Mas tentei passar para eles que casar virgem vale a pena", afirma Natal, que já conseguiu convencer quase metade do grupo e pretende divulgar a idéia com a gravação de um CD de música evangélica pelo grupo.

"Hoje, muitos estão começando a vida sexual muito cedo, com essa idade, entre 11 e 12 anos. Não queria que com eles fosse assim. Na nossa região há muita violência, meninas que engravidam muito cedo, sem apoio de ninguém. É uma forma também de eles se respeitarem e de seguirem o processo normal de desenvolvimento", argumenta.

Questionado sobre sua experiência pessoal pelos adolescentes, ele conta que não casou virgem, mas que sofreu muitas frustrações por isso.

Sem medo de serem rotulados 
O anel usado pelo jovem casal Lutiano Carreço e Kamila Santos, de 18 e 15 anos, é o símbolo de uma lição aprendida em casa, desde muito cedo: que a virgindade é um princípio bíblico a ser seguido. A prática não é nem de longe simples assim: "sou recriminado na escola por ser virgem, já me chamaram para sair, para perder a virgindade, mas não aceitei porque esse é um compromisso meu com Deus", justifica Lutiano, que namora Kamila há pouco mais de um mês. Apesar de freqüentarem igrejas diferentes (ele é presbiteriano e ela batista), acreditam que esse é o caminho certo a seguir quando o assunto é namoro. "Já pensávamos assim antes, estamos seguindo o que diz a palavra e não temos vergonha de dar o nosso testemunho", finaliza Lutiano.

Em busca da pureza para se livrar de "vazio interior" 
Se para uns a proposta de viver a castidade é vista como uma forma de proteger o jovem da violência e dos riscos de uma vida sexual precoce, para outros, ser casto é um exercício de disciplina, de respeito a si e ao próximo e até de evitar angústia e depressão.

"O nosso problema não é o jovem que precisa de cesta básica, de escola... é o vazio interior. Muitos deles vêm de uma realidade que a maioria dos jovens vive: de bebida alcoólica, de mau uso da sexualidade. Não são raros os casos de depressão, angústia. O que vigora entre eles? A história do ficar... Você reduz o outro e se deixa reduzir à uma situação de consumo e isso não preenche", afirma o servidor público e coordenador do grupo de jovens da Paróquia da Ressurreição, em Goiabeiras, Vitória, Charlies Amaral Falqueto.

Antes de coordenar os jovens, ele liderava o grupo de adolescentes da mesma paróquia, e diz que a escolha de se manter ou não casto é totalmente livre entre eles. "A gente coloca isso como um caminho a ser percorrido. Fazemos uma proposta. Evitamos falar "não". Nada é imposto. A Igreja não condena o sexo, só prega que ele aconteça num contexto de compromisso", explica Falqueto.

A mensagem é aceita por muitos, para ele, por não falar de Deus como um ser que castiga e do sexo como conseqüência do amor. "Falamos que antes da entrega dos corpos, é preciso fazer a entrega dos corações, pelo sacramento do matrimônio. E se alguém nos ama, é capaz de se sacrificar. Se não puder esperar, talvez até goste, mas pode ser que não ame. Mostramos a castidade como exercício de domínio de si, através da oração."

Espera por uma união eterna 
Quem vê a jovialidade estampada nos rostos de Larissa Porto Ladislau e Fabiano Neves, ambos de 22 anos, nem imagina a caminhada que o casal já acumula. Mesmo sendo namorados há quase cinco anos, e de casamento marcado, eles garantem que vivem o namoro cristão, quer dizer, sexo, só depois de casados.

"A gente só se vê nos fins de semana, não temos muito tempo para ficar sozinhos, e quando temos, evitamos. Sabemos que fora da igreja somos diferentes, mas lá isso é normal", afirma Fabiano.

Para ele, o namoro do casalnão é antiquado, do tipo "só pode pegar na mão", só atende aos ensinamentos que receberam. Apesar de não terem vida sexual, eles não temem se decepcionar após o casamento. "Você conhece tanto a pessoa, que isso é uma conseqüência", afirmam.

A recompensa pela espera, para Larissa, é uma relação duradoura. "Meus pais têm 25 anos de casados e começaram assim. Muitas pessoas que vejo e que têm relações sexuais cedo, se machucam mais", acredita ela, que diz não ligar para os comentários. "Já me chamaram até de Sandy. As pessoas brincam, mas respeitam nossa posição".


(A Gazeta - Elisangela Bello )

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