segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Yoñlu: Suicídio pela internet


TV's LCD, Home Theater, Celulares, Som Portátil
"Eu acredito que a cadência e a harmonia certas no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios’’



LEGADO PRECOCE
Yoñlu compunha, fazia os arranjos, tocava piano
e violão. Acima, a capa do CD póstumo que será
 lançado neste mês pela Allegro Discos
Essa frase é de um adolescente de 16 anos. Um garoto que amava Radiohead, Mutantes e Vitor Ramil. Foi escrita no dia de seu suicídio. Era parte de sua carta de despedida. Ele dizia aos pais que a música era a melhor maneira de enfrentar o desespero que viria. Antes de começar a morrer, colou a carta no lado externo da porta do banheiro. Acima dela, um cartaz: “Não entre. Concentrações letais de monóxido de carbono”. Vinícius ligou o aparelho de som – “porque é bom morrer com música alegre” – e entrou.
Essa frase escrita na morte se transformou num legado de vida ao ser impressa no encarte do CD que será lançado ainda em fevereiro pela Allegro Discos, com 23 músicas de sua autoria. Parte delas foi entregue aos pais na forma de uma herança às avessas: “Deixei na mesa do computador um envelope vermelho da Faber-Castell que contém um CD com algumas de minhas músicas”. Yoñlu, o título do CD, é o nome com o qual batizou a si mesmo no mundo em que circulava com mais desenvoltura: a internet.

Ambos, Vinícius e Yoñlu, morreram por asfixia por volta das 15h30 de uma quarta-feira de inverno, 26 de julho de 2006. Vinícius foi estimulado ao suicídio e auxiliado por pessoas anônimas na internet. Ele é a primeira vítima conhecida no Brasil de um crime que tem arrancado a vida de jovens de diferentes cantos do mundo – uma atrocidade que poderia ser chamada de Suicídio.com.


Yoñlu anunciou na internet que seu suicídio começaria a partir das 11 horas de 26 de julho

SENTIDOVinícius aprendeu a tocar bateria aos 4 anos.
A música o prendeu à vida por muito tempo.
 E foi música que ele aconselhou aos pais para suportarem sua perda
Encobertos pelo anonimato da rede, internautas de diferentes nacionalidades têm dito em várias línguas a pessoas muito frágeis, a maioria delas adolescentes: “Mate-se”. O suicídio de Simon Kelly, de 18 anos, em Cornwall, na Inglaterra, foi um dos primeiros sinais de que algo de macabro estava acontecendo no reino da internet. No verão de 2001, o garoto aproveitou uma viagem dos pais para acessar sites sobre suicídio com detalhes técnicos de como poderia se matar. Morreu de overdose enquanto conversava com “amigos” virtuais em uma sala de bate-papo. A banalidade dos diálogos travados enquanto o adolescente tirava a vida é chocante. Ninguém tentou dissuadi-lo ou buscou ajuda. Um internauta procurou apenas convencê-lo a dar uma última olhada no mar antes do fim. Simon respondeu: “Fiz isso no domingo. Vejo vocês do outro lado”. A morte foi transmitida pela câmera do computador.

Somente em 2005, 91 pessoas, a maioria entre 20 e 30 anos, suicidaram-se no Japão, estimuladas por sites na internet. Apenas em um mês, março de 2006, houve três casos de suicídios coletivos combinados em fóruns virtuais no país: 13 internautas morreram. Desde o ano passado, 14 jovens da região de Bridgend, no sul do País de Gales, se mataram. Alguns deles estavam ligados por um site de relacionamento que difundia uma idéia “romântica” do suicídio. O mais velho tinha 26 anos. Nos últimos seis anos, a Papyrus, entidade dedicada à prevenção do suicídio, registrou 27 mortes incentivadas pela internet apenas na Grã-Bretanha. A vítima mais jovem tinha 13 anos.


LEGADO PRECOCE

Yoñlu compunha, fazia os arranjos, tocava piano e violão. Acima, a capa do CD póstumo que será lançado neste mês pela Allegro Discos

OLHARParte da herança deixada por Vinícius é composta
de desenhos e fotografias que ilustram esta reportagem
No mundo virtual não há nenhuma perversão nova, apenas as velhas modalidades que já assombravam as ruas da realidade. A diferença é que, na internet, qualquer um pode exercer seu sadismo protegido pelo anonimato, na certeza da impunidade. Basicamente, a idéia é: “Se ninguém sabe quem eu sou, não só posso ser qualquer um, como posso fazer qualquer coisa”. Megan Meier, uma adolescente americana de 13 anos, foi uma vítima da mais banal das maldades, cuja potência de destruição foi multiplicada na internet. Depois de receber mensagens hostis de um “amigo” virtual no site de relacionamento MySpace, Megan subiu ao 2o andar da casa e se enforcou com um cinto no closet. Josh Evans, um garoto musculoso de 16 anos, louco por pizza, tinha dito a ela: “Você é uma pessoinha de m.... O mundo seria bem melhor sem você nele”. O detalhe: Josh nunca existiu. Era uma criação coletiva de suas vizinhas para se divertir com a menina gordinha.

O brasileiro Vinícius Gageiro Marques deixou o inventário de seu suicídio. Documentou sua morte na carta de despedida impressa em papel e no registro virtual da internet. Seguindo seus passos, é possível chegar ao impasse de uma época em que adolescentes habitam dois mundos – mas os pais só os alcançam em um.

Como Yoñlu, ele marcou seu suicídio no mundo virtual para as 11 horas de 26 de julho de 2006. No mundo real, Vinícius estava havia dois meses em internação domiciliar por determinação de seu psicanalista. Ele era um garoto superdotado, descrito como “extraordinariamente inteligente” e “extremamente sensível”. Filho único do casamento de um professor universitário que foi secretário de Cultura do Rio Grande do Sul com uma psicanalista, ele teve todo o estímulo para desenvolver inteligência e sensibilidade. Alfabetizou-se em francês quando a mãe fazia doutorado em Paris com a historiadora e psicanalista Elizabeth Roudinesco, biógrafa de Jacques Lacan. Mas o mundo doía em Yoñlu, como mostram as letras de muitas de suas músicas. Sua questão não era morrer, mas fazer a dor parar.

Os fones de ouvido eram o caderno dele. Não levava nada, não ouvia o professor e depois passava por média em tudo’’
GENOVEVA GUIDOLIN, orientadora educacional do Colégio Rosário

Vinícius criou uma fantasia para enganar os pais: a de um adolescente “normal”. Disse a eles que queria fazer um churrasco para os amigos, que estava interessado numa “guria”, que preferia não ter os pais por perto. Dias antes, pediu ingresso para um show que aconteceria depois de sua morte, iniciou um tratamento de pele, foi ao supermercado comprar a carne. Simulou um futuro onde não pretendia estar.

Vinícius parecia “curado” no mundo real. Na internet, porém, Yoñlu pedia instruções sobre o melhor método de suicídio. Em 23 de junho, comentou que adiaria sua morte porque muita gente estava elogiando suas músicas. A faixa 10 do CD, “Deskjet Remix”, em parceria com um DJ escocês, tocava em festas eletrônicas de Londres. O mundo virtual de Yoñlu alcançava gente de vários países em sites de suicídio e fóruns de música, com quem conversava num inglês desenvolto.

Enquanto Vinícius tecia uma fantasia no mundo real, a realidade estava onde os adultos de sua vida não esperavam encontrá-la: no mundo virtual. A mãe arrumava a mesa para o churrasco de ficção. Bem ali perto, o computador anunciava a morte do filho pelo método conhecido como “barbecue”. Por volta de 11h15, os pais saíram do apartamento que ocupa três andares de um prédio da família, num bairro de classe média de Porto Alegre. Por volta das 12 horas Vinícius ligou para o celular da mãe, avisando que os amigos tinham chegado e que estava “tudo bem”. Às 13 horas, os pais deixaram o violão, que estava no conserto, na portaria do prédio. Vinícius foi buscá-lo. Três horas depois, os pais leriam: “Para garantir uma margem segura de tempo, inventei a história do churrasco, pedindo para que vocês saíssem de casa durante todo o dia. (...) Essa medida fez com que o churrasco de hoje parecesse um grande progresso no que tange a minha condição psíquica, quando na verdade era justamente o contrário”.

O que aconteceu depois foi gravado por Yoñlu no computador. Às 14h28, ele postou num grupo de discussão, sempre em inglês: “Estou fazendo esse método CO (suicídio por inalação de monóxido de carbono) neste momento e tenho duas grelhas queimando no banheiro. Aqui está a foto. Alguém pode me dizer se há carvão suficiente e quando eu posso entrar no banheiro e me deitar? Por favor, por favor, me ajudem! Eu não tenho muito tempo”.


Uma canadense avisou a polícia gaúcha que um garoto se suicidava na internet

A foto mostra duas churrasqueiras portáteis com chamas, uma ao lado da outra, num banheiro. Às 14h42, alguém diz: “Como você está se virando? Espero que você consiga o que quer. Talvez você volte daqui a pouco tossindo”. Dois minutos depois, Yoñlu escreve: “Ah, meu Deus. Eu não consigo suportar o calor, está tremendamente quente naquele banheiro. O que eu devo vestir para se tornar mais suportável? Eu tomei uma ducha antes, mas não adiantou nada. O que eu posso fazer? E o que eu devo fazer para desmaiar, por Deus?”.

Um bombeiro aposentado de Chicago, segundo o inquérito policial, orientou Yoñlu a retirar as roupas, encharcar algum pano e se enrolar nele para suportar o calor até o momento de desmaiar. O último post de Yoñlu, de Gay Harbour, como ele chamava causticamente Porto Alegre, foi às 15h02. Muito tempo depois, alguém escreveu: “Acho que funcionou, já que ele não entrou mais em contato”.

Às 15h45, o policial federal Enrico Canali, de Porto Alegre, foi chamado ao telefone porque era fluente em inglês. No outro lado da linha estava o policial Ken Moore, de Toronto, no Canadá. Lindsey, uma universitária canadense, amiga virtual de Yoñlu, procurou a polícia de sua cidade para avisar que alguém no sul do Brasil estava se suicidando. Deu o endereço de Vinícius, obtido com outro amigo virtual. Canali acionou a Polícia Militar.

Os PMs Volmir da Silva Ramos, sargento, e Fernando Hermann Heck, soldado, tentavam conter uma mulher em surto psicótico debaixo de um viaduto quando foram chamados pela central. Eram 16h10. A zeladora do prédio demorou 15 minutos para deixá-los entrar, assustada com a presença da polícia narrando uma história que soava absurda. Chamou o avô de Vinícius, que morava em outro apartamento do mesmo prédio. “Não é possível. Só meu neto está aqui, e ele está com os amigos, numa festa”, ele teria dito aos policiais. A cena que encontraram não precisa ser descrita.

Durante cerca de uma hora, o serviço médico tentou reanimar Vinícius. Ele explicou aos pais na carta: “O método que escolhi foi intoxicação por monóxido de carbono, é indolor e preserva o corpo intacto, mas demora, e se a pessoa é resgatada antes de morrer fica com graves lesões cerebrais e torna-se um vegetal”.

Eu dizia que ele era um velho brincando de adolescente na rede. Dizia sai, deixa para os netos. Então ele me mandava a voz para provar que era jovem’’
FELIPE DI MELO, de 19 anos,
amigo virtual


Quando o sargento constatou que estava tudo acabado, puxou o pai e a mãe do menino para que ficassem juntos – “porque agora só teriam um ao outro” – e foi embora. Os pais nem precisariam ter lido a carta para entender: “Não houve churrasco, não havia colegas nem guria que eu goste. Peço desculpas pela maneira trapaceira com que arranjei meu suicídio. Peço desculpas também pela maneira assustadora com que a notícia chegará a vocês. Foi a maneira que encontrei de garantir um dia inteiro sozinho a fim de conduzir o procedimento da maneira mais segura”.

Vinícius era um garoto de 1,83 metro de altura, magro e bonito. Mas não era essa a imagem que via. Em alguns momentos, segundo o inquérito, sentia que seu corpo se desintegrava, que seu rosto estava deformado. Procurava então um espelho para ter certeza de que estava ali. Na escola, quando tinha essa sensação, levava um CD para poder se olhar sem chamar a atenção. Aos 12 anos, ele já lia Kafka.
Vinícius deixou uma carta de despedida, um CD com suas músicas e sua vida de Yoñlu no computador
Quando se suicidou, Vinícius legou aos pais o que acreditava ser o melhor dele: Yoñlu, seu eu mais fluido, feito de palavras e de música, existência “salva” na internet. De novo a sua voz: “O computador está cheio de material sobre mim para vocês lerem se quiserem. Todas as minhas conversas no MSN estão gravadas. Eu tinha um blog em http://yonnerz.blogspot.com. Todas as minhas músicas estão salvas...”.

São mais de 60 músicas. Vinícius aprendeu a tocar bateria aos 4 anos, depois piano e violão. Na porta do quarto grudava um cartaz: “Gravando”. Uma vez chamou a mãe para ajudar na canção “Tiger”, faixa 14 do CD: o aparelho nos dentes não permitia que ele gravasse o assobio.

Ao entrar na internet em busca de Yoñlu, os pais encontraram fragmentos de morte. Ele fazia uma ressalva: “Não pensem de forma alguma que eu quis lançar-lhes algum tipo de culpa por terem, de certa forma, ‘assistido’ a minha morte. Não havia nada que pudesse ter sido feito para impedir isso”. E fragmentos de vida. Como a colega de escola que não virou namorada. Para Luana, ele compôs “Mecânica Celeste Aplicada”, a faixa 20 do CD. Diante do amor, Yoñlu não conseguia se passar pelo adulto de 26 anos que dizia ser em grupos da internet. Virava guri, o Pipoca do tradicional Colégio Rosário, Pop Corn nas aulas de inglês, Palomita nas de espanhol. Em qualquer aula, sobre qualquer tema, Pipoca emergia dos fones de ouvido para lançar a pergunta que toda a turma 303, do 3o ano do ensino médio, esperava: “Mas e qual é a relação com a água?”. Todo mundo ria, mas talvez esta fosse a pergunta que ele fazia ao mundo: qual é a relação com a água?

Não foi a primeira vez que Vinícius tentou o suicídio. Mas foi a primeira vez que havia vozes torcendo para ele morrer. Dizendo como ele podia morrer. E, desta vez, ele morreu. No Suicídio.com só existe a exposição de um corpo, o da vítima. Aqueles que disseram “mate-se” são vozes sem materialidade, desmancham-se no ar. Nos outros crimes iniciados pela internet, em algum momento, para consumar o abuso sexual, o assassinato, o criminoso precisa aparecer. É necessário um encontro real para existir o crime. No incitamento ao suicídio, não. A única maneira de impedir a continuidade dessa rede de morte é dar corpo às vozes, nome e sobrenome, dar existência concreta aos fantasmas mórbidos da rede.

No mundo todo, porém, adolescentes têm sido incentivados na internet a morrer sem que ninguém seja punido. No Japão, desde 2005, quando os suicídios ligados à rede aumentaram em 70%, os provedores passaram a ser obrigados a informar qualquer suspeita à polícia. Os casos diminuíram. No Brasil, 39 milhões de pessoas usam a internet, mas os provedores não têm obrigação de preservar provas. Sua responsabilidade só começa depois de receberem a notificação de que um crime está ocorrendo. Na lista dos dez países com maior número de internautas, o Brasil é o único que não tem uma divisão especializada em crimes cibernéticos. O projeto acumula poeira em Brasília desde 2005. A Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal é informal. Tem apenas quatro pessoas. A falta de estrutura somada ao caráter transnacional da rede garante a impunidade.

O crime de indução, instigação ou auxílio ao suicídio é previsto no Artigo 122 do Código Penal Brasileiro. A pena é de dois a seis anos de prisão, dobrada se a vítima for menor de 18 anos. Denunciada por uma canadense e instigada por internautas de diferentes países, a morte de Vinícius não foi considerada um crime pela polícia. Em ofício, a Delegacia de Polícia para a Criança e o Adolescente Vítima despachou o caso para a Polícia Federal, por envolver pessoas e sites de diferentes países. E a PF o mandou de volta em outro ofício dizendo que a atribuição é da Polícia Civil. Depois do empurra-empurra, o delegado Christian Nedel concluiu o inquérito sem indiciar ninguém, por entender que Vinícius tinha a intenção clara de se matar e por não encontrar provas de incitamento ao suicídio. Nenhum dos participantes do site foi sequer identificado. Em entrevista, o delegado admite que até o fato de os diálogos na internet serem em inglês tornou-se um problema.

Em março de 2007, outro adolescente brasileiro se suicidou em Ponta Grossa, no Paraná. Thiago de Arruda, estudante de Educação Física, foi atacado em uma comunidade do Orkut cuja principal missão era fazer fofocas sobre os moradores da cidade. Chamavam Thiago de “homossexual e pedófilo” na internet. O ataque atravessou as paredes virtuais da rede, e ele passou a ser agredido nas ruas de Ponta Grossa. Thiago escreveu na internet que, se as agressões continuassem, ele se mataria. Um internauta disse que ele deveria mesmo se matar e ensinou o mesmo método usado por Vinícius: inalação de monóxido de carbono. Thiago foi encontrado morto na garagem de sua casa. Cinco pessoas foram identificadas pela polícia. Ninguém foi preso.

Não há como saber o que fariam esses adolescentes que suspenderam a vida num chat da internet se conseguissem tornar-se adultos. Em 16 anos, um tempo exíguo demais, Yoñlu deixou um impressionante legado composto de músicas, desenhos e fotografias. Todo o material que ilustra esta reportagem foi feito por ele, é parte do encarte do CD Yoñlu. Em sua carta de despedida, Vinícius escreveu: “Se conseguirem enxergar além da ótica da paternidade, verão que nada de especial aconteceu no dia de hoje. O mundo continua igual. (...) Espero que não tenha ficado nada pendente”.

Ele estava errado. Nada nunca mais será igual. Tudo ficou pendente.

"De que lugar Yoñlu trouxe a vontade de ser vários, a surpresa de ser vários, a tristeza, a melancolia, a angústia de ser vários? Perguntas, perguntas...’’
JUAREZ FONSECA, crítico musical (trecho extraído do encarte do CD Yoñlu – Allegro Discos)

Diálogos no inferno: a vida num site de morte
A revista ÉPOCA entrou nos grupos de suicídio que Yoñlu freqüentava para descobrir o que um adolescente encontra nessa rede macabra
“Estou muito deprimido. Não vejo nenhuma razão para a minha vida. Como posso cometer suicídio? Ajudem-me, por favor.” A súplica foi feita por Diego Martin em um fórum de discussões sobre suicídio na internet. O grupo tem quase 2 mil internautas cadastrados que se correspondem em inglês. É um dos mais conhecidos da rede. Foi ali que Vinícius Gageiro Marques, o Yoñlu, fez alguns “amigos” virtuais. Logo que Diego se conectou, na semana passada, encontrou pessoas dispostas a ajudá-lo a morrer. “Você leu o que está no http://gr...? Veja o coquetel D... Pesquise no alto da página, à direita”, disse Kat. “Se você quer que funcione, sugiro que pesquise bastante. O http://gr... é um bom lugar para você começar”, afirmou Peter. Kat, que escreveu ser mãe de duas crianças e sofrer de problemas psicológicos, quis conhecer melhor Diego antes de dar a sentença de morte.

– Você acha que devo cometer suicídio?
– Não conheço a sua situação. Eu, por exemplo, tenho alguns contatos on-line com doentes terminais. Eles têm pouca possibilidade de vida. No meu caso, com dois filhos, acho que seria errado e egoísta. 


– Eu não tenho vida. Só depressão. 
– Isso ainda não é suficiente para que eu possa fazer um julgamento. Essa é uma grande decisão e não há retorno. Mande-me toda a sua história por e-mail.


Diego Martin não existe. É um jovem criado pela reportagem de ÉPOCA para descobrir como as pessoas se comportam na web quando conversam sobre suicídio. Mas Kat e Peter existem. Assim como centenas de outros internautas prontos para ajudar e incentivar quem deseja se matar. De acordo com Adalton de Almeida Martins, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, criar um personagem na internet não é crime. “Seria falsidade ideológica apenas se houvesse prejuízo a alguém”, afirma. Crime é incitar ao suicídio. ÉPOCA selecionou alguns trechos de diálogos travados em um fórum na semana passada:

squidthings: Não quero te matar. Mas crianças usam essa m... o tempo todo. Tenho um amigo que tomou 2.650 mg e ficou alucinado durante três dias. Depois acordou abandonado em Cleveland.
fkd up: Eu estou planejando cozinhar N* e injetar na veia. 
axlgu: Não funciona. Eu já fiz isso. 
Samantha: Se você quer companhia, eu gostaria de ir. O remédio N* é minha primeira opção. Eu estava esperando para viajar com alguém. Estou reunindo os ingredientes para o coquetel de A*. É fácil achar esses remédios on-line. Só não sei se vai funcionar. Mas isso vai me custar US$ 300.
JohnnieR: Sam, estou tentando organizar um grupo de três ou quatro pessoas. Você será mais do que bem-vinda.
angrygirl13: Me corto e me queimo desde os 11 anos. Me corto quase todos os dias. Tenho um filho menor de idade, então eu não posso ir em frente agora... Mas todos os segundos, todos os dias, eu penso na morte.
tanhkx: Se alguém parar de comer, em quanto tempo morrerá? Provavelmente a pessoa vai ficar cega primeiro, certo? Por causa da falta de vitamina A, eu acho.
avalanche: Isso não funciona. Você só vai acabar hospitalizado.
angrygirl13: Meu amigo acabou de tentar se enforcar. Ele estava num programa de prevenção ao suicídio e o deixaram ir ao banheiro sozinho. Mas o lugar não era alto o suficiente para arrebentar o pescoço dele.
kat: Estava postando e notei a resposta de um policial. Devo ficar preocupada se ele estiver me rastreando? Que diabos um policial está fazendo neste site? Talvez ele seja suicida também. Se ele for policial, eu gostaria que atirasse na m... da minha cara.
squidthings: Uma vez, policiais apareceram on-line e tentaram me salvar. Chamaram o 911 e a polícia apareceu na minha casa. Você precisa ter cuidado com quem fala antes de morrer.


Reportagem da Revista Época, intitulada Suicídio.com 11/02/2008 - Edição nº 508

40 comentários:

  1. Estava lendo a reportagem de Época e fazendo algumas relações com o que vem acontecendo com a juventude de hoje. O mundo virtual é um esconderijo perverso para a fragilidade e insegurança que invade toda mente de adolescentes de todas as épocas. Não sei o que poderia culpar... talvés o excesso de respeito à privacidade aos indivíduos que ainda não estão prontos para enfrentar o mundo sosinhos !?!?!

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  2. Estava lendo a reportagem de Época e fazendo algumas relações com o que vem acontecendo com a juventude de hoje. O mundo virtual é um esconderijo perverso para a fragilidade e insegurança que invade toda mente de adolescentes de todas as épocas. Não sei o que poderia culpar... talvés o excesso de respeito à privacidade aos indivíduos que ainda não estão prontos para enfrentar o mundo sosinhos !?!?!

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  3. Que tal perceberem que a culpa é somente de todos nós? A culpa é do humano e do sistema vazio e devastador da natureza e dos sentimentos no qual vivemos. Nada disso pode ser mudado agora, talvez a alternativa pra dor do Vinícius fosse lutar pela mudança, não sei se ele nunca pôde descobrir essa alternativa ou se ele simplesmente não acreditava nela (o que é compreensível). Uma coisa é certa... ele fez o que tinha que fazer, mesmo que ele melhorasse por agora, essa dor o acompanharia até o dia de sua morte. Me parece que ele era alguém cheio num mundo vazio, fez somente o que tinha que fazer. Só é ruim pra quem fica. Antes de culpar pessoas que dão apoio umas às outras num site da internet, se olhe no espelho e se pergunte o que você faz para diminuir a tristeza no mundo.

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  4. Ele é foi uma vítima do nosso tempo.
    A algumas gerações atrás era interessante/útil lutar para mudar as coisas, mas hoje não há como mudar mais nada.
    A juventude consciente de hoje acaba vendo que não existe saída, e isso deprime muito os mais sensíveis...

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  5. Ele realmente era fora extraordinário, mas não acho que tenha feito isso por não ver uma saída para a "carnificina" do mundo atual. Nada a ver. Também fui um adolescente extremamente sensível e inteligente, porém, como me sentia amado pelos meus pais, como recebia muito carinho e companhia deles, nunca pensei em me matar. Quem não é amado é triste. Quem não tem a quem amar é triste. Esse jovem não tinha os pais por perto, muito provavelmente. Devia ter os bens materiais que quisesse, porém não o conforto do colo dos pais quando se sentia depressivo. Ao invés de conversar, contrataram psicólogos. Pais, acordem, dêem carinho aos seus filhos, escutem-os sem os julgar.

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  6. A culpa de tdo isso, é nossa, da voracidade do ser humano em destruir o outro, em ajudar q o outro se desfaça e esqueça q na vida tbm existem coisas boas. Li a reportagem da época, e ela dizia q Vinícius era extremamente sensível e naum se sentia bem,com tda a "realidade", o mundo doía em Yoñlu. Não é possível q pessoas tão especiais qnt vinícius, não tenham a chance d alcançar uma vitória q lhes é destinada, não é possível q o mundo vai continuar freando aqueles q são melhores, e q deviam ser reconhecidos e considerados acima de tdo! Essas pessoas q o ajudaram, estaum cavando a própria cova, sinceramente naum entendo como seres humanos sentem prazer em ajudar outro a se suícidar, meu Deus, isso é um absurdo, como um dia disse Charles Chaplin,a vida é mta para ser insignificante. Espero q essas pessoas tenham a consciência, de q "mataram" uma pessoa com um futuro brinlhante, q construiria grandes histórias e q poderia ter feito de sua vida um livro, cheia de páginas inspiradoras e com palavras maravilhosas.

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  7. Será que ele sempre se escondeu atrás de suas lágrimas,eu não sei acho que ele sempre esperou um sorriso um abraço para tentar lutar uma pessoa para dizer que ele era importante mesmo sabendo que nunca teria ele só tentou sugar as suas dores mas elas haviam acabado e ele tentou colocar um fim nisso.

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  8. Todos nós temos fases muito más e tristes...O problema do suicidio são aqueles de que gostamos e que ficam a sofrer! Se não houvesse nada a prender-nos seria bem fácil...! A sociedade e todos nós somos culpados pelo número de pessoas que cometem suicidio. A selva em que vivemos pressionados pela ganância ou iludidos por banalidades consumistas, pressões do trabalho, etc.. faz que com que desvalorizemos assuntos relevantes e importantes como a solidariedade, amor e a amizade. É por isso que ter alguem com quem desabafar é crucial para se ultrapassar tal momento de angustia e tristeza. Espero que este miudo tenha morrido sem dor e feliz e quero acreditar que existe algo mais após a morte! Somente damos valor às pessoas que para nós são importantes quando as perdemos. E dizer-lhes enquanto cá estão custa assim tanto!?Porquê?! Ás vezes coisas banais e discussões parvas e zangas prolongadas....
    Arrependam.se e dêm o primeiro passo. Façam saber às pessoas que amam o quanto gostam delas! Que fiquem todos bem e em paz e acreditem que o dia de amanhã possa ser melhor que o de hoje. Acreditemos todos!

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  9. Londrina, 01 de Dezembro de 2008, às 16 horas e 30 minutos... um jovem de 16 anos pula do décimo-quinto andar do prédio onde mora, do apartamento de sua tia, que dá para uma rua menos movimentada no centro da cidade... filho de uma professora universitária de Enfermagem da UEL, a cidade pára

    reforço o que foi dito pouco acima... FRACA É A SOCIEDADE AFOGADA EM MEDOS E MATERIALISMO BARATO... VOCÊS INSENSATOS SÃO OS RESPONSÁVEIS PELA MORTE DE GAROTOS HIPERSENSÍVEIS E BRILHANTES COMO ESSES, VAMOS PELO AMOR DE DEUS PARAR DE PENSAR TANTO EM NÓS MESMOS, PARAR DE QUERER SER O MELHOR, O VENCEDOR! A SOCIEDADE SÓ TE COBRA SE VOCÊ SE DEIXAR COBRAR


    é preciso amar todas as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há

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  10. Sinceramente, acho uma idiotice alguém tão brilhante acabar com a vida que poderia ter tido. Eu não entendo o suicídio, acho que não vou entender nunca.As pessoas falam que suicídio é uma demonstracão de fraqueza, mas eu já vejo o contrário: tem que ter muita coragem pra acabar com a propria vida sem saber o que te espera do outro lado. Falta Deus no coracão, falta muita coisa na vida destas pessoas. Acho ainda mais absurdo as pessoas incitarem o suicídio via internet. Fico triste pela morte do garoto e acho que para alguém superdotado como ele, se matar mostrou uma grande burrice mesmo. Comeco agora a mudar meus conceitos de inteligência.

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  11. De fato, a psicose e a depressão são doenças da classe média alta. E a burguesia da cidade fica chocada e apaixonada ao mesmo tempo quando ouve um caso como esse. Relatando a plena inconsistência de um garoto que devia sofrer muito mesmo. Sofria talvez por nunca ter visto ninguém passando fome, não podendo ir a escola, morando em uma casa de taperá em condições sub-humanas. É lastimante ver as palavras de um menino mimado pretes a se matar, chega proximo de ser um soco na boca do estômago. Perdeu toda a vida maravilhosa que poderia ter tido, por não aguentar tamanha dor. Pobre garoto.

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  12. a culpa não é de ninguem alem dele mesmo...
    certas pessoas são senciveis ao extremo em relação ao amor, e ele sentia um amor tão grande dentro dele q o machucava e fazia sentir a dor de amar...
    AMOR... um sentimento que quando não é correspondido se torna a mais terrivel dor que existe...
    quem nunca chorou de amor ?
    assim como existem pessoas que choram por amor, existem outras que se matam por amor...

    Minha Mãe se matou, por amar muito alguem que a abandonou, tanto que esse alguem q ela amava, ao ver oque tinha feito, morreu uma semana depois inexplicavelmente !!!

    quer amar ? então espere por muita DOR !!!!

    "Assim como o Ódio mata, o Amor mata também !"

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  13. Falta de amor, compreensão e pais presentes...

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  14. penso como ele. as vezes o sofrimento é isuportavel que so pensamos no suicidio para acabar com ele. estou programando o meu. para que nao seja tao doloroso como o do meu pai tbm suicida.

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  15. Eu andei lendo sobre o Yoñlu e pude ter uma idéia do que o levou a tal ato: foi um amor não correspondido.

    Eu sei que ninguém é obrigado a amar ninguém, mas que ao menos as pessoas exponham os motivos da não correspondência.
    Infelizmente a maioria prefere mentir, inventar justificativas que não existem para permanecer com seu pseudo-moralismo incólume.

    Enfim, não entendo como uma pessoa poderia rejeitar um sujeito como ele.

    As pessoas infelizmente dão crédito às pessoas erradas, por isso que o mundo está como está. Aos certos é relegado o desprezo e o abandono. A dor torna-se insuportável e a pessoa, por fim, dá cabo em sua vida.

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  16. MENSAGEM AO CANDIDATO A SUICÍDIO QUE POSTOU UM COMENTÁRIO EM 28 DE AGOSTO DE 2009, ÀS 11:40 -> POR FAVOR, NÃO COMETA O MESMO ERRO, POIS NÃO HÁ VOLTA. ALÉM DISSO, TU NEM SABES O QUE TE ESPERA DO LADO DE LÁ. QUERO TE OUVIR. QUERO SER O TEU OMBRO AMIGO.PELO MENOS ME OUÇA ANTES DE TOMAR A TUA DECISÃO. ENTRE EM CONTACTO COMIGO: erickmontgomery123@hotmail.com
    ESTAREI TE ESPERANDO.

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  17. Pois concordo que é ruim pra quem fica, ele apenas se libertou do sofrimento dele. Nao queria mal a ninguém mas pensou nele em primeiro lugar. E foi muito corajoso, pois sei que precisa de muita coragem pra fazer algo do tipo.
    Tb acho triste que pessoas da net, que por nao terem contato com nossos conhecidos, escolhemos pra desabafar e pedir alguma ajuda, sejam perversos e falam qualquer coisa, magoam muito e faz a gte se sentir ainda pior.
    Nao gosto de ouvir que um suicida nao da valor a vida, nao ´isso.. quem diz nao entende o processo que essa pessoa passa até conseguir cometer esse ato. é mto dificil justamente pelo valor que eh dado à vida, isso só acontece mesmo quando se perde todas as esperanças de melhora, e ainda assim há o medo, o medo da dor, da possivel existencia de uma outra vida horrorosa, de "ser salvo" e ter sequelas horrveis, ou ate mesmo do arrependimento. Tudo isso assombra a mente da pessoa, e tambem ajuda a se sentir pior ainda. é mto sofrimento, mto.. E ninguem entende, so quem passa por isso.
    Acho engracado q ha tanto indicios que sao passados despercebidos, eh dificil pedir ajuda falando DIRETAMENTE oq queremos, ate pq esculhambam a gte ou trantam como doidos e msm assim n ajudam, pq n levam aserio, se falarmos diretamente. E quando finalmente alguem q ta sofrendo a tanto tempo de liberta da vida a familia culpa anota baixa que tirou, o fim do namoro, a briga com o irmao.. n é nda disso, sao coisas que vao somando... Ainda que nas horas q ficamos tristes, por qualquer motivo, sao os momentos que batem a coragem.
    Bom.. é isso.. Sei que nao irao entender msm.. mas espero q acreditem que nao é falta de valor a vida, é apenas uma forma de acabar com o sofrimento. Chega um ponto que bate o desespero mesmo.

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  18. "Espero q essas pessoas tenham a consciência, de q "mataram" uma pessoa com um futuro brinlhante, q construiria grandes histórias e q poderia ter feito de sua vida um livro, cheia de páginas inspiradoras e com palavras maravilhosas."

    Uma pessoa trite, desanimada, não move o mundo, não traz grandes feitos, pq nao ha animo para isso. O fim de sua vida n é ruim pra humanidade, é apenas pra familia dessa pessoa, e olhe lá.. Pois deixara de ser um fardo para eles.
    As pessoas morrem, os entes choram por um dia, ficam de luto 1mes ou 1ano, sentem saudades, mas a vida pra eles continua, ninguem morre junto, entao nao é tambem um sofrimento absurdo, ate mesmo porque todo mundo passa esse tipo de sofrimento algumas vezes na vida, afinal as pessoas que amamos n vivem pra sempre, principalmente as mais velhas.

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  19. "André R. disse...
    De fato, a psicose e a depressão são doenças da classe média alta. E a burguesia da cidade fica chocada e apaixonada ao mesmo tempo quando ouve um caso como esse. Relatando a plena inconsistência de um garoto que devia sofrer muito mesmo. Sofria talvez por nunca ter visto ninguém passando fome, não podendo ir a escola, morando em uma casa de taperá em condições sub-humanas. É lastimante ver as palavras de um menino mimado pretes a se matar, chega proximo de ser um soco na boca do estômago. Perdeu toda a vida maravilhosa que poderia ter tido, por não aguentar tamanha dor. Pobre garoto.

    21 de Abril de 2009 15:00"


    Esse tipo de comentario, sei que é sem querer, mas ajuda a nos fazer sentir mal.
    Eu nao sou de classe media alta, pelo contrario, nao tenho dinheiro, mas meus pais tem algum (classe media baixa msm, mas n passo fome e tenho net) e apesar de n quererem gastar comigo, dentro de casa eu desfruto de certos confortos.
    Eu sei que tem casos mto piores que o meu, me informo sim sobre o mundo, choro muito vendo documentarios, querendo ajudar pessoas na rua, principalmente criancas e animais, que sao indefesos.
    O fato de "ser fraca" (nao me acho fraca mas sei que as pessoas acham) me deixa triste, eu sei que teria um futuro pela frente se conseguisse me animar e correr atras de tudo. O fato de nao conseguir aproveitar isso, com tanta gente querendo oq eu tenho, me deixa MUITO triste. juro pra vc.
    Ja procurei e procuro ajuda, nao sei explicar porque nao consigo me animar pra vida.. Ja fiz anos de terapia, passei por varios psicologos, todos eu fui por vontade propria, sem apoio, o que é MUITO dificil, por isso me considero forte, todo dia pra mim eh como uma sobrevivencia, me sinto assim.. sobrevivendo. Pedi ajuda sozinha pois vi que cheguei no fundo do poço e nao tive coragem pra terminar com minha vida, dou valor a ela sim. Mas juro que ate hoje, apesar da falta de coragem e medo, eu ainda penso m fazer isso, apenas pq n consigo melhorar, e conheco casos de pessoas depressivas que continuam tendo recaidas e sobrevivendo por anos e anos.. Nao quero ser assim.
    A culpa me corroi muito quando penso nas pessoas que lutam pra viver em condicoes precarias, mas ao mesmo tempo me sinto como elas.. So que elas sao compreendidas, pq todo mundo entende os motivos de seus sofrimentos..
    Nao quero o mal de ninguem. Se eu pudesse eu trocava de lugar com alguem que quer ficar vivo e ta morrendo, sei que seria bem aproveitada por essa pessoa..

    Mas eu n to conseguindo..

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  20. André R. só tenho mais uma coisa a te dizer.. Quem tem dinheiro esta sujeito, como qualquer outra pessoa, a situacoes mto traumáticas, como estupro na infancia e etc.. Acho triste voce julgar que a vida da pessoa é perfeita apenas por ser rica. Dinheiro não é tudo.

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  21. ah sim.. outra coisa, pobre tb precisa de psicologo rs.. minha irma estagiou fazendo terapia em quem n tinha dinheiro pra pagar, na faculdade.
    Todas as facus d psico tem esse serviço, e é bem procurado.

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  22. Heraldo Paarmann ( Guitarrista e professor de guitarra e teoria musical )

    Embora realmente soe algo talentoso na minha modesta opinião esse tipo de talento eu dispenso totalmente , assim como vários grandes talentos gigantescos tiraram as próprias vidas em prol do que? esse garoto era partidário do suicidio livre, pregava em suas musicas o mal estar , a dor, o sofrimento, e morrer para ele foi um deleite beirando quase o orgasmo .

    Não posso admitir que um talento desse porte possa alimentar a vontade de morrer, grandes talentos vivem para celebrar a vida tirar as pessoas da vontade de morrer e não o contrário!!!

    Mas realmente ele tinha talento, tinha o tino musical, mas jogou-o fora da pior maneira possível!!!

    Esse comportamento realmente é fruto dos novos tempos, mas eu diria é fruto da falta de vida entre as pessoas, a vida virtual tirou os contatos corporais, o contato de compartilhar o mesmo ambiente e respirar o mesmo ar, sentir os cheiros, sentir a energia do próximo, viver a vida no mundo real.

    A vida maluca que estamos aceitando, onde tudo gira em torno do dinheiro, do título, da promoção, do consumo e aonde está o amor? O carinho? a solidariedade? a compaixão?

    Vida é acima de tudo conviver da forma mais feliz e da forma mais presente possível. É ter amigos duradouros para compartilhar as experiencias vividas em grupo. É ter pessoas que nos ajudam a lembrar nossas conquistas e recordar nossos erros para que este não sejam mais repetidos!!!

    Esse garoto é um exemplo aonde a inteligência e a superdotação podem ser a linha tenue entre uma vida tranquila e um caos cerebral!!!

    Que todos nós que somos pais, fiquemos atentos as reais necessidades dos nossos filhos, somos a única saída para que eles não cometam um desvio desse porte!!!

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  23. Sei o que ele passou pois estou passando pela mesma coisa...estou com vonatde de morrer...pois nada da certo..minha vida esta uma desgraça so...briga com o meu pai...meu namorado so me culpa pelo meu erro..de ter traido ele..ñ tenho amigos..quero desistir da minha faculdade...queria que alguem me ajudasse!

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  24. Meu nome é Ana Carolina e tenho 11 anos : )
    Seii o que ele passou pois já passei pela mesma coisa . Já tentei me matar uma vez , mais meus pais não souberam , foram meus amigos que estavam lá e nao deixaram nada acontecer.. mais eu queria ter morrido .. nada da certo pra mim .. quem eu amo nao me ama .. minha mae nao liga pra mim . meu pai so tem tempo pra namorada ... ai liguei o gás quando nao tinha ninguem em casa , deixei o gas espalhar pela casa toda a ponto de explodir , eu deitei no sofa , e fikei la , ai meus amigos chegaram e viram .. hooj eu me arrependo do que eu tentei fazer ... ao terminar de ler a historia do Vinicius eu quase chorei .. é muito triste isso .

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  25. O guri era doente. Se considerava um gênio e demandava mais atenção do que pensava merecer.

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  26. Para o Heraldo Paarmann ( Guitarrista e professor de guitarra e teoria musical )

    Se tu entendes de guitarra e de teoria musical com a "profundidade" que conheces o Vinícius / Yoñlu, então tu estás bem MAL, meu amigo ! Da próxima vez, tente opinar apenas sobre assuntos sobre os quais tu tens pelo menos ALGUM conhecimento, ok?

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  27. Para o "Anônimo": Tu disseste: "O guri era doente. Se considerava um gênio e demandava mais atenção do que pensava merecer." Na verdade, doente deves ser TU. O Vinícius / Yoñlu JAMAIS se considerou um gênio. Músicos de prestígio internacional fizeram essa referência, como se vê na imprensa do mundo inteiro. Vá se informar, seu ignorante.

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  28. ai fica quieto você que chamou ele de doente, seu ignorante; as pessoas só sabem criticar, mas eu duvido que você teve a capacidade de se colocar no lugar dele, ele era um menino maravilhoso com uma mente brilhante, só não soube usar essa inteligência toda da maneira correta. Mas ninguém aqui tem o direito de chamá-lo de doente. Ana - 14 anos - RS

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  29. Heraldo Paarmann1 de abril de 2010 15:32

    Para o erick theodore montgomery

    Por alguma razão que desconheço e não tenho o menor interesse de saber Erick se ofendeu por simplesmente não entender o que sigfnica LER ATENTAMENTE a minha opinião. Me dou o direito apenas de observar que nenhum ser humano precisa ser especializado em cursos da vida para entender o que expressei neste blog. O assunto aqui não foi musical, ter talento para realizar musica não significa que terá talento para viver a vida de forma brilhante ( exemplos não faltam e não vem ao caso citá-los ). Infelizmente me parece que é o caso do rapaz que expressou sua angustia através do seu talento musical e findou de forma trágica. Caro Erick, espero que entenda que não tive a menor intenção de ofender seu conhecimento pleno pelo garoto, ok? Fiquemos e paz e vinvendo da melhor forma possível! Abraços!

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  30. Soube dessa história esta semana , fiquei muito triste , e quando comecei a ler coisas sobre ele , me indentifiquei. Já tentei suicido , mas desisti.Acho importante as pesssoas saberam que nós adolecentes temos uma alto estima baixa , e que qualquer coisa nos ofende , e parece que o mundo sempre vai acabar.as pessoas deviam respeitar isso,e algumas vezes não acreditam no que você é capaz,não conhecem seu eu verdadeiro, e acaba t atingindo com isso.No caso do Vinicius (Yoñlu) ele devia estar desesperado , sem saber a onde se encaixava , pois no seu mundo verdadeiro ele devia ser aquele 'estranho superdotado' e no mundo virtual ele era aquele cara popular e super talentoso. Por isso acho que em um certo momento ele já não sabia quem ele era mais.Por isso o suicido,e para que isso não ocorra , não basta só os pais terem 'aquelas conversas' com os filhos , eles devem explicar que nós (os filhos) teremos muitas decepções na vida,e saber das amizades do filho, sem ser chato, respeitando algumas atitudes e escolhas deles. Se aguém souber onde vende e onde eu possa falar com os pais dee eu agradeceria muito .
    Obrigada ,
    uma adolescente .(:

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  31. Acho que vou copiar o método usado pelo garoto. Nunca teria pensado em carvão... :)

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  32. ha uns meses atras .. acho que anos .. pensei em diversas possibilidades de me matar .. mas gracas a Deus encontrei forcas pra persistir em viver .. hoje vejo mais pureza em coisas simples .. em coisas bobas .. vejo felicidade .. tento soh me manter ...
    e levo assim, calado

    nada que eu diga vai persuadir a voces continuarem vivendo ..
    meu conselho procure algo que de liberdade ..
    nem sempre o caminho mais curto eh o melhor.

    God bless us.

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  33. QUANTO MAIS LEIO MAIS QUERO LER SOBRE ELE,VERE,ENTENDER,MAIS NAO CONSIGO ACHO ELE DEMAIS MUITO ESPECIAL MAIS O QUE ELE FEZ NAO E UMA BOA

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  34. YONLU E UM ENIGMA DIFICIL DE DESVENDAR, MAS ERA ESPECIAL SO NAO TEVE FORÇAS PARA SUPORTAR A VIDA ´´QUE PARA ALGUNS E´ MAIS COMLICASDA QUE PARA OUTROS``CERTO?

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  35. PELO MUITO QUE FIZESTES, PELO POUCO QUE VIVEU,VALEU O QUE DEIXOU MAS SE FOI MUITO CEDO E DE MANEIRA TERRIVEL PARA QUEM FICOU PRINCIPALMENTE,SEI O QUE ESTOU FALANDO CINTO MUITO MESMO

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  36. YONLU O QUE VOCE FEZ CARA?TINHA MUITA COISA PARA CRIAR,VIVER,TALVES SOFRER,PODIA TER ESPERADO MAIS UM POUCO

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  37. Não podemos julgar-lo sem conhecer nada a seu respeito. É fácil dizer que ele queria chamar atenção, que ele era mimado ou qualquer coisa do gênero, mas não concordo! Entendo perfeitamente o sentimento que esse menino tinha, essa vontade insaciável de entender o mundo, entender a vida das pessoas.. porque eu possuo a mesma. Sempre penso, como as pessoas podem ser tão felizes como tanta pobreza, fome, guerras e etc.. pode parecer um papo clichê, "pieguas" mas justamente por isso que esse assunto se tornou tão banal, as pessoas falam por falar, mas ninguém se importa. Ninguém de fato, ajuda.
    Esse menino era superdotado emocionalmente, é como se a sua mente não tivesse descanço.. a cada dia que passa você se sente mais incomprieendido, com menos vontade de sair na rua, e como mais vontade de se livrar das "dores".
    Sempre fui uma criança quieta e poderia dizer que, excluida do resto das pessoas.. não sei, talvez eu não pertença a esse lugar.. só não tive coragem de por um fim em tudo por causa dos meus pais, mas é só por eles..

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  38. seus idiotas! acaso algum de vocês estava dentro da cabeça dele quando ele se matou? NÂO!!! então não vem falar que ele se matou por isso ou por aquilo.

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  39. Quem são voces para julgar o que certo ou não...

    Como voces podem saber sobre a dor de um pessoa?

    Como alguem nesse mundo pode explicar um sentimento alheio...

    Falar sobre futuro que aguardava, ou sobre o o simples fato de ser agradecido por ter uma vida para viver...

    Quem são voces?
    Para julgar uma pessoa no qual voces nunca se relacionaram...

    Dinheiro, amor, familia...
    Não digam sobre o que falta ou nao...

    Por que para uma pessoa que planeja seu ato final, nada disso importa e nada disso JAMAIS importou...

    Hoje escrevi minha carta de despedida...
    Não sei se ela será revelada em tão breve, mais ja esta redigida...

    ...

    Minha vida é como esse texto, iniciei com vontade e teria milhares de coisas para escrever....

    porem...

    já nao tenho mais vontade de termina-lo...
    vou clicar em postar e acaba-lo de uma só vez...

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  40. T.Mario

    Não seja tolo, não faça isso.

    Muitas pessoas gostariam pelo menos ter ter uma vida social.

    Essa atitude egoista vai faser com que muitas pessoas fiquem mal.

    Não tem volta, Pense nisso.

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