terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Dureza na criação de cavalos: Coletando sêmen de um garanhão


TV's LCD, Home Theater, Celulares, Som Portátil
Video: Coleta de sêmen

Existem técnicas de avaliação que tornam o rebanho de reprodutores mais produtivos. A simples existência de machos e fêmeas e a escolha de um método de reprodução (seja Monta Natural, Inseminação Artificial ou Transferência de Embriões) são apenas alguns dos muitos passos a serem observados na implantação de um sistema de manejo reprodutivo eficiente no rebanho.

Monta Natural
No Brasil, país situado no hemisfério Sul, a estação de monta tem geralmente seu início entre os meses de agosto e setembro. O período mais intenso de serviço dos garanhões vai de dos meses de setembro a dezembro, e é necessário um manejo correto dos reprodutores para o máximo proveito de sua fertilidade.
O estabelecimento de uma estação de monta (definida como único período do ano em que as fêmeas do rebanho deverão ser cobertas) tende a respeitar este período de nascimentos, buscando concentrar todos os nascimentos nesta época, facilitando o manejo durante a parição, e possibilitando um maior controle zootécnico sobre o rebanho de cria, pela uniformidade do lote de potros nascidos. Permite ainda uma melhor utilização, mais criteriosa e eficiente de fêmeas.
Controle de Cobertura

Antes de tudo, é necessária a identificação do momento correto para a cobertura de cada égua. Isto deve ser determinado pelo médico veterinário através do controle folicular. Se isso não for possível, é preciso saber que o período fértil da égua ocorre nas 24/48 horas finais do cio, e não no início do mesmo, como às vezes se supõe. O cio da égua costuma durar cinco dias, o esperma vive no trato genital feminino por 48 horas em média, por isso é praxe, não havendo controle folicular constante, começar a cobrir no terceiro dia do cio e seguir cobrindo em dias alternados, enquanto a égua estiver aceitando o cavalo. Aquelas de ciclo curto devem ser cobertas antes. Mas genericamente falando, é errado começar a cobrir aos primeiros sinais de cio, tanto por exaurir desnecessariamente o garanhão como expor os dois animais, já que no começo do cio a égua ainda não está muito disposta a aceitar o cavalo, nem pronta para conceber.

Identificada à fêmea a ser coberta, ela será conduzida ao local de cobertura e serão tomadas as precauções de segurança, peiando a égua e utilizando cachimbo para contê-la se necessário. Recomenda-se o uso de liga ou atadura na cauda da égua, para evitar que seus pêlos machuquem o pênis, bem como a limpeza do períneo com toalha de papel. No entanto, o uso de germicidas, antigamente muito popular tanto nos machos como nas fêmeas, é contra-indicado, tanto pelo eventual efeito espermicida como pelo fato de, na verdade, encorajar o aparecimento de bactérias patogênicas, ao destruir a fauna bacteriana normal da área.

O encarregado de conduzir o garanhão procederá com a máxima calma e segurança, evitando que o cavalo suba na égua antes do momento correto, e auxiliando-o se necessário.

No treinamento de cavalos jovens, ou recuperação daqueles que tenham tido problemas anteriores, deve-se dar preferência a éguas calmas e experientes, de comportamento estral bem caracterizada, e manter a interferência humana tão reduzida e positiva quando possível.

Números de Cobertura

Idealmente, para assegurar fertilidade máxima, um cavalo deveria cobrir a égua a cada dois dias; este número pode ser aumentado para uma cobertura diária após o condicionamento progressivo e reforço alimentar correspondente. Se por alguma razão, tal como maturação folicular, for necessária que um garanhão cubra uma égua de manhã outra à tarde, é indicado que ele não seja utilizado no dia seguinte. Num haras que opere com auxílio de médico-veterinário para fazer o controle folicular, determinando o momento ideal de cobertura de cada égua, será possível cobrir cinqüenta ou sessenta éguas com um único garanhão. Não havendo estas condições de trabalho, ou na presença de um número maior de éguas, deverá ser utilizado um reprodutor adicional, ou ainda a inseminação artificial a fresco, fracionando as doses de sêmen coletado para servir simultaneamente a diversas éguas.

De qualquer maneira, o hábito antigo de fazer o garanhão cobrir duas vezes seguidas, com intervalo de minutos, é totalmente contra-indicado. Mesmo que o cavalo tenha libido e chegue a ejacular, naquele momento ele não apresentará número viável de espermatozóides no segundo ejaculado. Também não têm fundamento às praticas de evitar que a égua "perca" o sêmen fazendo-a contrair as costas, ou coloca-la na descida. A porção de ejaculado às vezes expulsa pela égua após o salto é a "fração gel", com concentração muito baixa ou nula de espermatozóides e que, de qualquer maneira, é desprezada nos procedimentos de inseminação artificial. Também a crendice de que a égua irá perder a cobertura se urinar imediatamente após a mesma carece de fundamento, uma vez que a uretra e a vagina são estruturas totalmente diversas.

Tipos de Cobertura

Neste texto, estamos considerando a utilização da "cobertura dirigida", tal qual é utilizada na maioria dos criatórios: a égua fica contida por cabresto e peia um auxiliar, o garanhão é conduzido com cabeçada, guia ou cabresto pelo encarregado. Existem também dois outros tipos de cobertura: a campo e a piquete.

A cobertura a piquete pode ser utilizada quando tanto o garanhão como a égua for animais experientes e pouco agressivos, consistindo simplesmente em soltarem os animais dentro de um piquete pequeno, e separando-os depois que a cobertura tiver sido efetuada.


É necessário ter os mesmos cuidados acima para se certificar de que a égua está no ponto ideal dos cios, ou até mais, pois a interferência humana será muito difícil uma vez que dois animais começarem a lutar dentro de um espaço reduzido. Sempre introduza o garanhão no piquete depois da égua, nunca o contrário. Do mesmo modo, na cobertura à mão o garanhão deve ser conduzido à égua depois que ela estiver preparada.

Cobertura a campo é praticamente restrita aos regimes de criação extensiva e de raças rústicas, sendo pouco utilizada hoje em dia. Ainda assim, continua apresentando os mais altos índices de fertilidade em animais acostumados a ela. A exemplo do que é feito na bovinocultura de corte, o garanhão é simplesmente introduzido na manada de éguas no início da estação de monta, é retirado ao cabo de alguns meses.

Dentro os problemas apresentados por este tipo de manejo se incluem o fato de que o garanhão precisa ser acostumado desde potro ao convívio com as éguas, respeitando e reconhecendo os estros naturais. Em nosso sistema artificializados de criação muitos garanhões passam a apresentar instinto sexual para cada égua que vêem, sem saber detectar os sinais de cio.

Outro problema é que dificilmente se saberá a data exata de cobertura, o que poderá causar dificuldades no posterior registro dos potros nascidos. A saúde de todos os animais precisa ser perfeita, especialmente à presença de doenças sexualmente transmissíveis, que nestas condições iriam se propagar velozmente em todo o rebanho. E naturalmente, todos os animais deverão ser supervisionados e revistos todos os dias detectando precocemente acidentes, problemas nutricionais e desgaste excessivo do garanhão. Apesar de todos estes pontos negativos, este manejo é ainda da muito utilizado na criação a campo, por exemplo, dos cavalos Crioulos, no sul do país, e sem dúvida, seria o preferido pelos eqüinos se eles fossem consultados.
Inseminação Artificial

Entende-se por inseminação artificial o depósito mecânico de sêmen no aparelho reprodutivo da fêmea. Atualmente a inseminação já é uma técnica extremamente difundida, sendo utilizada praticamente em todas as criações animais, e já sendo totalmente acessível para o produtor que quer reduzir custos. Em relação à monta natural, a inseminação oferece uma série de vantagens:

- melhoramento genético do plantel em menor tempo.

- controle de doenças venéreas e sexualmente transmissíveis.

- controle de riscos de acidentes que podem ocorrer na monta natural.

- aumento de número de descendentes de um animal.

- utilização do material genético de uma animal impossibilitado para cobertura.

- nascimento de descendentes, mesmo após o falecimento do garanhão.

Para que o processo de inseminação ocorra de acordo, e não aconteça nenhuma falha, é importante manter cuidados básicos para que estes não interfiram negativamente, minimizando o potencial do método. Devemos nos atentar principalmente para: fêmeas reprodutivamenbte aptas, sêmens de alta qualidade, técnica correta de inseminação, e manejo sanitário adquado.

As éguas devem estar em perfeitas condições de saúde, e o sêmen utilizado deve ter procedência, e ser estritamente armazenado em condições ideais de resfriamento.

Independente da técnica utilizada para a inseminação, os problemas mais frequentes serão sempre os mesmos, falta de higiene, mal armazenamento do sêmen, deposição errada da palheta no momento de inseminação e detecção falha do cio.

Conclui-se que com em todas as atividades relacionadas ao manejo e criação de eqüinos, também o serviço de monta são aparentemente simples, porem requerem mão-de-obra treinada e supervisionada por profissionais competentes, e uma dedicação diária de todos os envolvidos.
Transferência de Embriões

A transferência de embriões trata-se do princípio da multiplicação, de forma acelerada, da progênie (descendentes), de fêmeas (doadoras) consideradas superiores, dentro de cada criatório. Atualmente é a técnica mais acessível e de melhor aproveitamento de uma doadora, multiplicando seu material genético.

Para tal, as doadoras serão submetidas a tratamentos com hormônios, que atuarão sobre os ovários causando múltiplas ovulações (superovulação). Esses óvulos, se fertilizados após as inseminações, serão coletados e avaliados uma semana após.

Os embriões considerados viáveis, poderão ser transferidos para outras fêmeas chamadas receptoras (transferência a fresco) ou congelados para posterior aproveitamento (serem descongelados e transferidos em outra oportunidade).

Resumidamente, podemos dizer que uma égua, considerada muito boa, dificílmente será utilizada como receptora, e sim como doadora. A doadora será inseminada, terá seu embrião recolhido, caso tenha havido fecundação, e esse embrião será inseminado em outra égua, que deve ter boas características maternais, que dará a luz ao novo animal.
Manejo de éguas e garanhões

Na criação de eqüinos, a reprodução é um fator a ser bastante considerado pelo criador visto ser a espécie em si, pouco fértil. O criador deverá, portanto, tomar medidas oportunas para que a produção de potros possa cobrir o custeio dos animais e o arrendamento da terra.

Dar-se-á preferência a reprodutores jovens em plena maturidade sexual; é possível adotar a prática do exame do esperma do reprodutor por um veterinário, constatando desta forma a riqueza e a qualidade deste em espermatozóides.

O cio das éguas costuma ser longo, podendo chegar a 12 dias, mas tendo números dentro da normalidade entre 6 e 9 dias. A ovulação só se verifica no fim desse período; é boa prática fazer cobrições para que numa delas o espermatozóide coincida com a presença de um óvulo em condições de ser fertilizado.

Utiliza-se a prática de cobrir a éguas em dias alternados pois o espermatozóide sobrevive 48 horas no aparelho reprodutor da fêmea, não havendo portanto, necessidade de novas coberturas durante esse período. E importante ressaltar que esse intervalo de 48 horas entre coberturas consecutivas apresenta um decréscimo da fertilidade do reprodutor, como podemos observar:

1ª Cobertura: mais ou menos 75% de fertilidade
2ª Cobertura: mais ou menos 55% de fertilidade
3ª Cobertura: mais ou menos 25% de fertilidade

Observe-se que o cio das éguas se repete a cada 21 dias.

Outro fator que deve ser considerado é que a cobertura das éguas no primeiro cio pós-parto tem maior possibilidade de fecundação (cio do potro) isto ocorre no 7º dia pós-parto.

O criador deve também selecionar cuidadosamente todas as éguas que falharam na procriação, procurando determinar as causas da sua esterilidade; alguns fatores podem ser identificados, tais como: carência de proteína e nutrientes energéticos das pastagens, deficiência mineral (cálcio, fósforo, sal e iodo) e carência de vitaminas (A, E e C ), ou infecções uterinas. As fêmeas que depois de dois anos não procriam, devem ser eliminadas porque oneram a criação.

Alguns cuidados com as fêmeas na hora da cobertura são necessários:

1º- enfaixar a cola de cauda com fita crepe ou faixa elástica, evitando assim que algum fio da cauda penetre junto com o pênis do animal na vagina, provocando ferimentos;
2º- fazer pé-de-amigo na fêmea evitando assim que a mesma fira o garanhão com coices. Esta medida consiste em conter a égua com uma laçada em volta do pescoço em forma de coalheira, em seguida prender em cada ponta da corda os membros posteriores do animal;
3º- para evitar desgaste excessivo do garanhão ou acidente quando a égua se defende com a sua aproximação, utiliza-se o rufião.

Sabe-se que as melhores crias são provenientes de quarta, quinta, sexta e sétima geração pois a partir da oitava cria, o potro já perde o tamanho e qualidade; por isso é que os criadores preferem descartar-se das éguas mais velhas.

Viu só!!! Não é difícil criar cavalos...

Fonte: VILLAGGIO

4 comentários:

  1. quantas vezes cruzar em uma semana ?
    e quanto tempo depois percebemos se a égua pegou cria ?

    ResponderExcluir
  2. caraquiteristicas para saber se a egua esta no siu

    ResponderExcluir
  3. é correto afirmar que um cavalo depois que faz a 1° cobertura ele pode ficar mais bravo, gostaria de obter esta informação, se possível me mande um email dfejoli@r7.com grato pela atenção

    ResponderExcluir

Sinta-se livre para deixar um comentário educado... O seu comentário poderá levar alguns minutos para ser exibido.